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Internacional

O mundo presta condolências às vítimas do naufrágio no Mediterrâneo

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Sobreviventes do naufrágio à chegada ao porto italiano de Lampedusa, para onde foram deslocados depois do resgate feito pela ONG SOS Méditerranèe

ELIO DESIDERIO / EPA

Quatro embarcações naufragaram esta segunda-feira ao largo da costa do Egito. Dentro delas seguiam mais de 400 refugiados, na sua maioria somalis, que se presume terem morrido afogados. O Presidente da Somália e os responsáveis europeus no país já lamentaram o sucedido

Os números ainda não são oficiais mas as autoridades italianas assumem que mais de 400 pessoas poderão ter morrido esta segunda-feira no Mediterrâneo, durante o naufrágio de quatro embarcações ao largo da costa do Egito. Falamos de centenas de refugiados – na sua maioria de nacionalidade somali – em fuga dos horrores da guerra nos seus países, com destino à Europa, em busca de uma vida melhor.

O presidente da Somália Hassan Sheikh Mohamoud, o primeiro-ministro e o porta-voz do Parlamento do país uniram-se para uma declaração conjunta de condolências perante o sucedido.

O enviado especial da União Europeia à Somália, Michele Cervone D'Urso, também reagiu à tragédia. “Os meus pensamentos estão com todos os somalis que pereceram na costa do Egito”, afirma através da sua conta de Twitter. “Quando irá parar esta tragédia?”

Ainda esta segunda-feira, o Presidente italiano Sergio Mattarella já havia lamentado o sucedido e reiterando que a Europa necessita de refletir perante “mais uma tragédia no Mediterrâneo onde, ao que parece, centenas de pessoas faleceram”. Sentimento ecoado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do país Paolo Gentiloni, que apelou à abertura da Europa para resolver estes casos “em vez de construir muros”, numa clara referência à barreira que a Áustria já começou a construir – ilegalmente, segundo as regras de Schengen - na fronteira com a Itália.

Federica Mogherini, Alta Representante da UE para os Assuntos Externos, prefere olhar para os (muito) poucos aspetos positivos na tragédia, fazendo notar uma evolução na forma como a Europa lida com estes naufrágios. “Há um ano vimos 800 pessoas a falecer naquelas mesmas águas. Hoje, estamos a salvar vidas, prender traficantes e a neutralizar navios”, afirma, lembrando a tragédia que há precisamente um ano vitimou oito centenas de migrantes na costa da Líbia. Fica a garantia. “Já fizemos muito mas ainda há bastante por planear e fazer.”

Os responsáveis pelas políticas fronteiriças da União Europeia também afirmaram esta segunda-feira que o número de migrantes a atravessar o Mediterrâneo para chegar a Itália mais que duplicou no último ano. Em 2016, mais de 9600 pessoas tentaram a travessia, tida como uma das mais perigosas para os que tentam alcançar solo europeu. A UE diz ainda que a maioria dos migrantes provêm da África subsariana.