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O desespero por encontrar sobreviventes no meio dos escombros no Equador

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Portoviejo foi uma das cidades fortemente atingidas

HENRY ROMERO/REUTERS

O número de mortos subiu para 350 e as autoridades dão como certo que continuará a aumentar nos próximos dias, face ao impacto devastador do sismo que na noite de sábado fez colapsar prédios e pontes nas cidades costeiras e aldeias piscatórias do Equador

Desesperados por encontrar os seus familiares entre os escombros, habitantes da pequena cidade costeira de Manta tentavam este domingo remover o entulho sem recurso a quaisquer meios para além das próprias mãos.

“O meu marido está ali debaixo”, afirmou Vernoica Paladines, mulher de baixa estatura, que o repórter da agência France Presse encontrou, enfurecida e com lágrimas de desespero nos olhos, enquanto procurava abrir caminho entre os destroços do hotel onde trabalhava o seu companheiro e pai dos dois filhos. “Ele fazia pinturas. Tinha acabado de ir para dentro descansar um pouco quando aconteceu”, afirmou a mulher, de 24 anos.

O abalo de 7,8 na escala de Richter que sábado à noite atingiu o Equador, seguido por 230 réplicas, fez colapsar prédios e pontes nas cidades costeiras e aldeias piscatórias. Os últimos dados indicam que há 350 mortos e 2068 feridos confirmados, mas as autoridades locais dão como certo que esta cifra negra continuará a aumentar nos próximos dias.

“O Equador foi atingido com um impacto tremendo”, afirmou o Presidente Rafael Correa numa mensagem difundida pela televisão. “Receio que estes números aumentem porque continuamos a remover os escombros”, referiu nas primeiras declarações que efetuou após regressar de uma viagem à Europa.

Mais de 10 mil militares foram destacados para manter a ordem e auxiliarem nas operações de resgate. Venezuela, México e Chile disponibilizaram-se para auxiliarem nas operações de salvamento.

A Cruz Vermelha do Equador mobilizou mais de 800 voluntários e funcionários, entre os quais médicos. Os Médicos Sem Fronteiras anunciaram o envio de uma equipa vinda da Colômbia.

Javier Carpo, capitão de uma brigada dos bombeiros de Manta, disse ter apenas 30 homens e mulheres sob o seu comando, para auxiliar nas operações ao longo da cidade com cerca de 200 mil habitantes, que viu residências, lojas e hotéis ficarem danificados e destruídos. “Ontem, nós retirámos os corpos de três crianças de um hotel”, afirmou à France Presse. “Ao longo da cidade há muitas pessoas encurraladas”, acrescentou com um ar resignado, “nós não sabemos quantas são”.

Em Portoviejo, outra cidade fortemente afetada pelo sismo, “não há água, eletricidade, e se volta a chover como na outra noite tudo ficará inundado”, afirmou Karina Bone Valiviese, de 39 anos. Mãe de quatro e já com dois netos, Valiviese refugiou-se com a família no quintal de uma igreja local, para onde levou os pertences que conseguiu.

Sismos no Japão causaram 42 mortos

O sismo do Equador ocorreu depois de dois fortes abalos que atingiram o Japão desde quinta-feira. Ambos países ficam localizados no “Anel de Fogo” do Pacífico, a área do planeta com mais atividade sismica e de vulcões. O instituto de Observação Geológica dos Estados Unidos considera, contudo, que tendo em conta a distância que os separa, provavelmente os sismos nos dois países não estarão relacionados.

As autoridades japonesas intensificaram esta segunda-feira as operações de busca e resgate no sudoeste do Japão, menos de 72 horas após o sismo de sábado, que causou 42 mortos e nove desaparecidos. Dois sismos intensos atingiram a ilha de Kyushu na passada quinta-feira e na madrugada de sábado, o último dos quais alcançou uma magnitude de 7,3. Foram o mais fortes no Japão desde o terramoto e tsunami de 11 de março de 2011.

Centenas de edifícios colapsaram, ocorrendo também deslizamentos de terras. Cerca de 35 mil casas sem eletricidade e outras 250 mil sem água corrente, entre outros danos materiais, segundo o Governo de Kumamoto. Cerca de 30 mil elementos entre forças militares, polícias e bombeiros foram destacados para as operações.

Os trabalhos foram dificultados pelas chuvas intensas registadas no fim de semana, bem como as constantes réplicas sísmicas (ao todo foram registados 527 sismos desde quinta-feira).

Cerca de 104.900 pessoas foram deslocadas e instaladas em 638 abrigos temporários em Kumamoto e outras 1048 foram colocadas na prefeitura de Oita.