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Guerrilheiros de Cabinda afirmam ter morto 47 soldados angolanos

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A tensão no enclave angolano continua, após a Frente de Libertação do Estado de Cabinda ter anunciado que matou em abril 47 militares durante conflitos na região. A organização diz estar “em estado de guerra” e pede uma linha de negociação direta com o Presidente Eduardo dos Santos

O braço armado da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) anunciou esta segunda-feira ter, este mês, provocado a morte a 47 soldados das Forças Armadas Angolanas (FAA), durante conflitos na região. Em comunicado enviado à Lusa, as Forças Armadas Cabindesas (FLEC/FAC) afirmam que outros militares das FAA ficaram feridos nestes combates e que os guerrilheiros ficaram na posse de vários materiais, como metralhadoras e munições.

Segundo a versão das forças cabindesas, os combates e emboscadas aos soldados das FAA aconteceram na área de Necuto e Dinge, nos dias 9, 12 e 14 de abril. Nenhuma fonte das FAA confirmou a ocorrência destes confrontos militares, desconhecendo-se também a existência de vítimas mortais ou feridos da parte dos guerrilheiros.

"A situação geral em Cabinda continua frágil e tensa", lê-se no comunicado assinado pelo porta-voz da organização, Jean-Claude Nzita.

O braço armado da FLEC/FAC - que reivindica a independência de Cabinda - anunciou em fevereiro o regresso à luta armada no enclave, alertando ainda tratar-se de "um território em estado de guerra" onde a circulação de pessoas passava a ser "seriamente desaconselhada", até que Luanda se disponibilize "séria e concretamente" para o diálogo. Contudo, pouco dias depois, a representação diplomática da FLEC na Bélgica e na União Europeia (UE) considerou que esta decisão conduz à "deterioração do clima político" em Cabinda e que põe em risco toda a sub-região da África Central.

Cessar-fogo em Cabinda? Apenas se Eduardo dos Santos negociar

No comunicado desta segunda-feira, a direção política e militar da FLEC/FAC aponta "a todos aqueles que têm os seus interesses no território de Cabinda" referindo, em particular, a empresa petrolífera norte-americana Chevron. Aconselham assim a que todas as partes interessadas exerçam pressão sobre as autoridades angolanas para "encontrar uma solução pacífica" para este conflito.

Segundo a organização, um "cessar-fogo" só será possível se o Presidente angolano, José Eduardo Dos Santos, aceitar "abrir negociações" com a direção política e militar das Forças Armadas Cabindesas. "Sem um diálogo franco e aberto não podemos resolver os problemas de Cabinda", concluem.

A FLEC/FAC tem vindo a aconselhar todos os expatriados ocidentais que vivam em Cabinda a abandonarem provisoriamente do território, desaconselhando a visita de turistas e forasteiros. "Estamos em estado de guerra", garantem.

A FLEC luta pela independência de Cabinda, província de onde provém a maior parte do petróleo angolano, e considera que o enclave é um protetorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885.

  • Em comunicado, a direção político-militar da FLEC/FAC (Frente de Libertação do Estado de Cabinda/Forças Armadas Cabindesas) alerta a comunidade internacional de que o enclave “é um território em estado de guerra” e que a circulação de pessoas “é seriamente desaconselhada”