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Dilma diz que a “luta será longa”

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RICARDO MORAES/REUTERS

A Presidente brasileira fala em “golpe de Estado” e garante que irá lutar até ao fim pela democracia. Sobre Lula da Silva diz que poderá ser empossado ainda esta semana como chefe da Casa Civil. “Certamente ele virá. Espero que possa dar uma grande contribuição”, declarou Dilma Rousseff

Menos de 24 horas depois de a maioria dos deputados ter votado a favor do envio do processo de destituição da Presidente brasileira para o Senado, Dilma Rousseff diz sentir-se “injustiçada”, sublinhando que o processo não tem base legal e que irá lutar até ao fim para continuar no cargo.

“Qualquer governo pode cometer erros, mas não há nenhuma justificação para a abertura de qualquer processo de impeachment. Na verdade, há uma violência no Brasil contra a democracia. Mas eu tenho força, ânimo e coragem suficientes para enfrentar esse sentimento de muita tristeza, essa injustiça”, declarou Dilma Rousseff esta segunda-feira numa conferência de imprensa no Palácio do Planalto.

A chefe de Estado brasileira manifestou-se ainda confiante de que irá vencer este processo no Senado, afirmando que não se trata de uma luta individual, mas de uma luta dos 54 milhões de brasileiros que votaram em si contra um “golpe de Estado”.

“Acredito que mais cedo ou mais tarde conseguiremos impedir que esse processo sem base legal, praticado por pessoas que deviam estar a ser agastadas e investigadas.Tenho a certeza que nós teremos oportunidade de nos defender no Senado. Ao contrário do que alguns anunciaram, não começou o fim. Será uma luta longa e demorada, não é uma luta que envolve apenas o meu mandato”, acrescentou.

Remodelação governamental a caminho

Acusando o vice-Presidente brasileiro de “traidor”, Dilma adiantou que não abrirá mão de nenhum dos instrumentos para defender a democracia e que todos os ministros que votaram no Parlamento a favor do processo de impeachment serão expulsos do Governo: “Estranho seria se fosse o contrário”, salientou.

Dando como certo que a “democracia será sempre o lado sério da história”– sem a qual não haverá crescimento, nem emprego, nem programas de inclusão social – , Dilma lembrou o período de ditadura no Brasil, garantindo porém que não se pode comparar com o processo de destituição que está em curso.

“Sem sombra de dúvida, a ditadura é um milhão de vezes pior, pois não é só você que é torturado, mas o cidadão comum não tem liberdade de imprensa, de expressão, não pode reivindicar um salário melhor. A ditadura é sem sombra de dúvida o pior dos mundos”, afirmou.

“Somos companheiros especiais”

Questionada sobre Lula da Silva, a governante admitiu que o ex-Presidente tem sido o seu maior apoio neste processo, dizendo esperar que possa ser empossado ainda esta semana como chefe da Casa Civil.

“Certamente ele virá. Nós somos companheiros, companheiros especiais, porque ao longo dos últimos 6/7 anos trabalhamos muito quase diariamente e agora voltamos. Espero que ele possa dar uma grande contribuição.”

Sobre eventuais remodelações no Executivo, Dilma referiu que será necessário um “grande rearranjo”, com vista ao governo construir um outro caminho, mas isto só depois de o processo de destituição ser chumbado no Senado.

No domingo, 365 deputados votaram a favor do envio do processo de destituição da Presidente brasileira para o Senado, contra 135 votos contra e sete abstenções.

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