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Dilma derrotada no parlamento

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Por 365 votos contra 135, a destituição de Dilma vai agora ser apreciada pelo Senado. Mas a crise está longe do fim. Dilma prepara contra-ataque. Novos processo judiciais e avanços na Lava Jato vão continuar a incendiar o Brasil

ADRIANO MACHADO / REUTERS

Uma maioria de 365 deputados votou favoravelmente o envio do processo de destituição de Dilma Rousseff para o Senado. A defesa do arquivamento do processo reuniu 135 votos, Houve sete abstenções.

Mas a defesa de Dilma está já a preparar o contra-ataque. A direção do Partido dos Trabalhadores deverá discutir na terça-feira a possibilidade de e Dilma Rousseff enviar ao Congresso uma proposta de redução de seu próprio mandato, adianta Mónica Bergamo, da "Folha de São Paulo". A proposta inclui também a a convocação de eleições presidenciais em outubro, ao mesmo tempo que se realizam as eleições municipais. Uma hipótese que tem ganho apoiantes nas últimas semanas como solução para a crise brasileira.Muitos políticos de vários quadrantes têm vindo a defender eleições em outubro, como a ex-candidata presidencial. Marina Dias, entre outros.

A concretizar a iniciativa, Dilma deverá propôr a limitação de mandato e o fim da reeleição, tal como já é prática noutros países da América Latina.

Votação no Senado em maio

O Senado vai agora criar durante as duas próximas semanas uma comissão constituída por 21 dos 81 senadores deputados para apreciar a admissibilidade do afastamento de Dilma Roussef. Durante dez dias de trabalhos, a comissão tem que elaborar um parecer para o submeter à votação. As informações disponíveis apontam para a votação da câmara alta ocorrer entre a segunda e a terceira semana de maio.

Se por maioria simples, 41 dos 81 senadores, aprovarem a admissibilidade do pedido de destituição, Dilma é automaticamente suspensa por 180 dias. E até outubro, deverá decorrer o período de julgamento em que as sessões são presididas por juiz Ricardo Lewandoski, presidente do Supremo Tribunal.

"Pedalada" é crime?

Ricardo Lewandoski, ou quem na altura estiver a presidir ao STJ, vai julgar se as manobras de desorçamentação – “pedaladas fiscais” configuram ou não “crime de responsabilidade”. A tipificação de crime necessária para que nos termos da Constituição brasileira afastar um presidente da República . Apesar de ser julgado no Senado é um processo iminentemente jurídico. Não se trata de um julgamento político equivalente à moção de censura dos sistemas parlamentares como o português.

Findo o prazo, o resultado é votado e para Dilma ser afastada são precisos 54 votos em 81. A presidente fica inelegível por oito anos e Michel Temer acaba o mandato até 2018.

Supremo aperta Cunha

Porém, nem tudo é assim tão linear. Existem vários processos judiciais paralelos. Michel Temer enfrenta um pedido de destituição igual ao de Dilma, que foi objeto de recurso ainda no parlamento.

Finda a votação do processo de destuição na Câmara dos Deputados, é muito provável que o Supremo Tribunal Federal avançe com o processo de destituição de Eduardo Cunha da presidência do parlamento e também de deputado fedral.

Apresentado no final de dezembro, por iniciativa da Procuradoria-Geral da República, o processo está pronto para avançar para julgamento, segundo a agência Broadcast Político. Cunha já foi inquirido e o já está nas mãos do juíz Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal. O processo ainda não foi discutido durante o processo de discussão do afastamento porque os juízes “ alegam que o debate político já está acalorado o bastante e que o Judiciário não deve "incendiar" ainda mais o panorama nacional”, acrescenta a agência.
Para a Broadcast Político, a maior parte dos juízes do STF não nutre grande simpatia pelas sucessivas manobras de Cunha para travar o Conselho de Ética do parlamento que analisa a sua destituição por ter omitido a titularidade de contas na Suíça. No pedido apresentado pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, constam índicios de 11 crimes graves desde o uso do cargo a favor do deputado, organização criminosa e obstrução à investigação Lava Jato, entre outros. Este processo, acresce a outro onde Cunha já é réu.