Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Deputado que garantiu processo de impugnação de Dilma recebeu dinheiro da Odebrecht

  • 333

Bruno Cavalcanti de Araújo (à direita), deputado do PSDB, foi quem garantiu o mínimo necessário de votos para avançar com impugnação de Dilma

ORLANDO SIERRA

Bruno Araújo, deputado federal do PSDB por Pernambuco envolvido no Lava-Jato, foi o 342.º a votar contra a Presidente, garantindo o mínimo de votos necessário para avançar com destituição da líder

"Senhor presidente, quanta honra o destino me reservou. De poder da minha voz sair o grito de esperança de milhões de brasileiros. Pernambuco nunca faltou ao Brasil. Por isso digo ao Brasil, sim para o futuro!" Foi com estas palavras que Bruno Cavalcanti de Araújo, deputado federal do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), se tornou este domingo o 342.º a votar a favor do chamado impeachment de Dilma Rousseff na assembleia de deputados brasileira.

Esse era o número mínimo de votos necessário para garantir que o processo de destituição da Presidente brasileira avança para o Senado, onde os seus 81 membros terão agora de votar a favor ou contra a manutenção desse processo, abrindo ou não caminho ao julgamento da Presidente liderado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal na câmara alta do Congresso.

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Dilma achou até ao fim que ia conseguir garantir apoios necessários na câmara baixa, este domingo, para evitar que o processo de impugnação avançasse. Mas, como sublinharam vários media brasileiros, houve uma série de "traições de última hora" que impossibilitaram essa salvação –com pelo menos 13 deputados federais, que tinham prometido votar a favor da Presidente, a mudarem de barricada nas 12 horas que antecederam a votação.

Tal permitiu que 367 deputados federais, mais 23 do que o mínimo necessário, aprovassem o avanço do impeachment de Dilma, mas não foi preciso esperar por essa contagem final para os opositores cantarem vitória. Isso aconteceu quando chegou a vez de Araújo fazer o seu discurso de anúncio de intenção de voto à etapa 342.

Em poucas horas, alguns media brasileiros, com o "Estadão" à cabeça, compilaram artigos sobre a carreira do deputado de Pernambuco, destacando que o membro do PSDB surge citado na lista de pessoas que receberam pagamentos da Odebrecht –revelada após buscas e apreensões feitas no âmbito da operação Lava-Jato em março.

O tucano já assumiu que recebeu fundos da empresa de construção civil que é uma das protagonistas do maior escândalo de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil – o mesmo escândalo que abriu esta crise política no país, após Lula da Silva ter sido alvo detido para interrogatório e de Dilma o ter nomeado ministro-chefe da Casa Civil para garantir imunidade ao antecessor, no que o PT considera ser um caso politicamente motivado contra o ex-Presidente brasileiro.

Araújo fala em doações oficiais, dizendo que em 2010 a Odebrecht investiu diretamente na sua campanha para deputado federal e que, em 2012, as doações da empreiteira ao PSDB foram "oficialmente" distribuídas pela direção do partido a candidatos de Pernambuco, incluindo o deputado.