Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A incógnita sobre mais um naufrágio no Mediterrâneo

  • 333

OZAN KOSE/ Getty Images

Presidente italiano lamentou “centenas” de mortos em “mais uma tragédia no Mediterrâneo”. A imprensa avançou que são mais de 400 refugiados que perderama vida. Mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados não fala de números e ainda está a confirmar a história

A tragédia foi anunciada: mais de 400 refugiados morreram no Mediterrâneo. Esta segunda-feira, o número fez manchetes e o presidente italiano lamentou a morte de “centenas de pessoas”. No entanto, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que monitoriza a situação, não confirma a história.

“O ACNUR está a verificar esta preocupante história e a tentar recolher mais informação sobre o incidente junto das autoridades e comunidades responsáveis. À hora desta publicação, não conseguimos confirmar a veracidade destas notícias”, lê-se no relatório diário da organização, divulgado às 16h53, hora de Lisboa.

À semelhança da ONU, nem as autoridades italianas nem as gregas confirma o naufrágio. Fonte da Guarda Costeira helénica, citada pelo “Migrant Report” vai mais longe: “Não houve qualquer incidente ao largo da Grécia. Acho que a informação está incorreta. Independentemente do que possa ter acontecido, não aconteceu em águas gregas e ninguém foi salvo de botes com 400 ou 500 pessoas a bordo”.

Ao começo da tarde, surgiam as primeiras informações. Davam conta que centenas de migrantes teriam morrido no Mediterrâneo, após o naufrágio de quatro embarcações ao largo da costa do Egito. A BBC foi dos primeiros órgãos de comunicação a noticiar a tragédia, citando uma entrevista com um embaixador somali no Egito. Mais tarde várias pessoas resgatadas, que se encontravam nas ilhas gregas, falaram ao canal britânico e garantiram que mais de 500 pessoas morreu no mar.

Chegou-se mesmo a referir que alguns corpos já teria sido recuperados e que um centena de refugiados fora resgata com vida de um barco de borracha quase afundado. Há uma explicação: os seis corpos recuperados e as 108 pessoas resgatadas pertencem a incidentes diferentes.

Sergio Mattarella, presidente italiano, durante um evento em Roma, lamentou o sucedido e reiterou que a Europa necessita de refletir perante “mais uma tragédia no Mediterrâneo onde, ao que parece, centenas de pessoas faleceram”. E como o chefe de Estado, também outros líderes mundiais prestaram condolências. Mas nunca houve números dados como certos.