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“A Presidente não se abaterá nem deixará de lutar”

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Ueslei Marcelino/Reuters

Promessa é de José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e atual advogado-geral da União, que diz que Dilma Rousseff se pronuncia esta segunda-feira sobre votação pró-impugnação

José Eduardo Cardozo foi um dos primeiros membros do governo brasileiro a reagir no domingo à noite, madrugada desta segunda em Lisboa, à votação da destituição de Dilma Rousseff na câmara baixa do Congresso — onde uma maioria de 365 deputados votou a favor de enviar o processo de impugnação para o Senado.

Citado pela "Folha de São Paulo", o ex-ministro da Justiça e atual advogado-geral da União diz que a Presidente brasileira não vai renunciar ao cargo sem lutar contra o que Cardozo diz ser uma decisão "puramente política" dos deputados da oposição, que não tem base jurídica.

Em causa está o coro de acusações liderado pelo vice-presidente de Dilma, Michel Temer, e pelo presidente do Parlamento Eduardo Cunha, ambos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o maior do país que, em março, abandonou a coligação de dez anos com o Partido dos Ttrabalhadores (PT).

Os dois homens, os restantes membros do PMDB e a maioria dos deputados do Partido Progressista (PP) e do Partido Republicano Brasileiro (PRB) — que também abandonaram a coligação de governo de Dilma antes da votação deste domingo — acusam a Presidente de ter manipulado as contas públicas para esconder o crescente défice do Brasil antes das eleições de há dois anos.

Cardozo — que no final da semana passada tinha pedido aos juízes do Supremo Tribunal Federal que impedissem a votação deste domingo — diz que esta segunda-feira Dilma quebra o silêncio para falar à nação e que, apesar de ter recebido o voto a favor da sua destituição com "indignação e tristeza", a Presidente "não tem apego ao cargo".

"A Presidente não se abaterá nem deixará de lutar. Ela não tem apego a cargos, mas apego a princípios. Ela dedicou sua vida à luta por certos princípios, esteve presa na ditadura e não se acobardou, não fugiu da luta e luta pela democracia", declarou Cardozo. "Se alguém imagina que ela vá se curvar se engana", acrescentou, comparando o que aconteceu este domingo na câmara dos deputados com o golpe militar de 1964.

Ainda em declarações aos jornalistas, o máximo responsável pelas procuradorias-gerais da República criticou o presidente do Parlamento, voltando a acusá-lo de orquestrar tudo o que conduziu à votação deste domingo. "A presença de Eduardo Cunha nos traz a indignação, principalmente por ele ser juiz maior de um processo contra uma mulher honrada." Cardozo diz não ter "a menor dúvida" de que este processo pode ser revertido no Senado, cujo presidente Renan Calheiros irá conduzir a questão "de forma ponderada".