Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Deputados votam processo de destituição de Dilma Rousseff

  • 333

ADRIANO MACHADO / Reuters

A sessão começou em ambiente tenso e de desordem, com vários parlamentares a subirem para a mesa da presidência e pequenos confrontos entre deputados a favor e contra o “impeachment”, que será aprovado se conseguir 342 votos

A Câmara dos Deputados do Brasil já iniciou a sessão na qual os parlamentares vão votar sobre o processo que poderá levar à destituição da presidente Dilma Rousseff.

A sessão, que foi declarada aberta às 14h00 (18h00 em Lisboa), começou em ambiente tenso e de desordem, com vários parlamentares a subirem para a mesa da presidência e crispações entre deputados a favor e contra o “impeachment”.

Gritos “fora PT”, numa referência ao Partido dos Trabalhadores, de Dilma Rousseff, e “não vai ter golpe”, uma frase que tem sido repetida pelos defensores da chefe de Estado, marcaram o turbulento início da histórica sessão da câmara baixa do Congresso brasileiro.

A sessão deverá prolongar-se durante a tarde, dado que os líderes de todos os partidos poderão falar para orientar o voto das suas bancadas e depois cada deputado será chamado, dispondo de 10 segundos para anunciar o seu voto.

Dado que o plenário tem apenas 315 lugares para os 513 deputados, muitos foram ocupando o espaço por detrás da mesa da presidência da Câmara, mas foram depois convidados a sair do local. Alguns desses deputados desdobraram uma faixa onde se podia ler "Fora Cunha", numa referência ao Presidente da Câmara, que está a ser investigado em casos de corrupção.

Em tom visivelmente irritado, Eduardo Cunha disse que as faixas não são permitidas e foi repetindo pedidos de respeito pelo processo e pelo povo brasileiro. A primeira intervenção, do relator do pedido de impugnação do mandato presidencial, Jovair Arantes, foi interrompida várias vezes devido à desordem.

O pedido de impugnação será aprovado se conseguir 342 votos, enquanto o bloqueio do processo precisa de apenas 172 votos. Se o pedido for aprovado, o caso avança então para o Senado, onde se repetem os procedimentos - é instalada uma comissão especial para analisar o pedido de impugnação e emitir um parecer, que vai depois a votação, sendo necessária uma maioria simples de senadores - 41 em 81 - para o processo ser formalmente instaurado. Se for chumbado, é arquivado o caso, mas se for aprovado a Presidente é suspensa do cargo.

Nessa altura, decorrem os interrogatórios, a apresentação de provas e a defesa de Dilma Rousseff para validar ou não a denúncia. A votação final ditará se Dilma volta ao cargo ou se será condenada, ficando impedida de exercer qualquer função pública por oito anos.

A “Folha de São Paulo” realizou um inquérito aos deputados que votam este domingo - 347 declararam intenção de votar “sim”, 130 disseram não concordar com o afastamento da Presidente, 17 mostraram-se indecisos e 18 não responderam ou não quiseram declarar o sentido de voto.