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Câmara dos Deputados do Brasil vota hoje pedido de destituição de Dilma

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Os ânimos exaltaram-se na Câmara dos Deputados em Brasília durante a discussão do pedido de impugnação da Presidente Dilma Rousseff

UESLEI MARCELINO/REUTERS

A votação que irá decidir se o pedido de afastamento da Presidente avança para o Senado tem início às 14h em Brasília, 18h em Portugal

Hoje é um dia decisivo para a Presidente do Brasil, Dilma Roussef, que enfrenta um pedido de destituição (“impeachment”) na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A Folha de São Paulo realizou um inquérito aos deputados que vão votar este domingo a favor ou contra o pedido de impugnação do mandato da Presidente: 347 declararam intenção de votar sim à abertura de processo de destituição; 130 não concordam com o afastamento da Presidente; 17 mostraram-se indecisos; 18 não responderam ou não quiseram declarar o sentido de voto.

Uma vez que são necessários 342 votos para aprovar o afastamento de Dilma, é bastante provável que tal venha a acontecer. Se for este o cenário, o processo segue então para o Senado.

Se passar no Senado, o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, assumirá temporariamente a Presidência até ao encerramento do processo, que não deve demorar mais do que 180 dias.
Nessa altura, decorrem os interrogatórios, a apresentação de provas e a defesa de Dilma Rousseff para validar ou não a denúncia.

Depois, a votação final ditará se Dilma Rousseff volta ao cargo ou se será condenada, ficando impedida de exercer qualquer função pública por oito anos.

Tensão nas ruas da capital

Nas ruas de Brasília, em frente ao Congresso Nacional, haverá manifestações, contra e a favor de Dilma, separados por um “muro” feito com chapas de aço, sinal de que as autoridades receiam violência.

Desde o final da noite de sexta-feira até à madrugada deste domingo, quase 120 deputados discursaram, a favor e contra a impugnação do mandato de Dilma Rousseff. Esta foi a sessão mais longa da história da Câmara dos Deputados, escreveu a “Folha Online”.

A madrugada de domingo ficou marcada por um acirramento dos discursos e por discussões e troca de agressões entre deputados no plenário.

Nas vésperas da votação, a Presidente brasileira acusou os seus opositores de usarem o pedido de destituição, a quem apelidou de “algozes”, de tentarem “condenar uma inocente” para fugir à justiça.

Horas antes, num vídeo divulgado nas redes sociais, Dilma tinha avisado que os “golpistas” que querem afastá-la da Presidência desejam revogar direitos e cortar programas sociais e na educação.

A denúncia na base do pedido de 'impeachment', disse, “não passa de uma fraude, a maior fraude jurídica e política da história do nosso país”.

A possibilidade de impugnação do mandato de Dilma surgiu na sequência da revelação das chamadas “pedaladas fiscais”, alegados atos ilegais resultantes da autorização de adiantamentos de verbas de bancos para os cofres do Governo para melhorar o resultado das contas públicas.