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Brasil à beira de um ataque de nervos

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Com cerca de dez minutos de votação na Câmara dos Deputados, oposição e defensores de Dilma Rousseff gastam os últimos cartuchos. Há manifestações pró e contra Dilma em 25 estados brasileiros. Só em Brasília a polícia espera mais de 300 mil pessoas nas ruas, entre defensores e apoiantes

Com a presença de 505 dos 513 deputados já confirmados, a votação começou há poucos minutos. Para o processo de afastamento de Dilma Roussef ser enviado para o Senado tem que ser aprovado por uma maioria de dois terços (342 deputados). Para travar a proposta, os defensores da presidente têm que obter 171 votos, contando com abstenções e faltas.

Até há poucas horas, ambos os lados insistiam que tinham votos suficientes para conseguirem os seus intentos. Às 22h22 hora de Lisboa, o "Sim" tinha 52 votos e o "Não" 18.

Nas quase três horas e meia que decorreram desde o início da sessão, houve vários período de altercação quase interrompendo o ritmo dos trabalhos. Uma troca de socos e empurrões entre gritos de “Tchau Querida” e de “Não vai ter golpe”, foi um dos momentos altos da contestação.

O presidente do Parlamento, Eduardo Cunha (PMDB), foi brindado também com um cartaz onde se lia “Fora Cunha”.

Cunha é aliás uma das personagens mais controversas do processo de afastamento de Dilma Roussef. Ontem, sábado pediu reforço de proteção policial para si e para membros da sua família. No dia anterior, sexta-feira uma denúncia premiada veio acrescentar-se ao rol de processos judiciais em que Eduardo Cunha está implicado. Sexta, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da cosntrutora Carioca Engenharia, entregou à Procuradoria-Geral da República, uma tabela onde consta o pagamento a Cunha de alegados subornos no valor de mais de 4 milhões de euros dólares. A denúncia revelada pelo “Estado de São Paulo” revela que o pagamento do empreteiro foi desdobrado em 22 depósitos. Cunha é também réu na Lava Jato e enfrenta um processo de destituição no próprio parlmento por ter omitido contas na Suíça. Mais 23 deputados que hoje votam estão indiciados na Lava Jato.

Frente aos deputados, Eduardo Cunha negou que o processo de afstamento da presidente seja uma “ato de vingança”. Disse que recebeu 50 pedidos de afastamento, mas só aceitou nove processo contra Dilma.