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Visita a Lesbos. Papa Francisco vai levar 12 refugiados para o Vaticano

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Papa Francisco na ilha de Lesbos, na Grécia

FILIPPO MONTEFORTE / POOL

Os refugiados que o Papa vai levar para o Vaticano - doze no total, incluindo seis crianças - pertencem a três famílias que se encontram no campo aberto de Kara Tepe. Em visita à ilha grega de Lesbos, o líder máximo da Igreja Católica garantiu aos refugiados ali presentes que eles não estão sozinhos. “Vim aqui para estar convosco e ouvir as vossas histórias, para exigir ao mundo que preste atenção a esta grave crise humanitária e implorar que seja resolvida”

Helena Bento

Jornalista

Em visita este sábado a Lesbos, na Grécia, o Papa Francisco comunicou que quer levar para o Vaticano refugiados que se encontram na ilha. A informação foi avançada por uma fonte do órgão de coordenação da política migratória grega (SOMP), que explicou que os refugiados em causa pertencem a “grupos vulneráveis” e chegaram a Lesbos antes da entrada em vigor do controverso acordo entre a União Europeia e a Turquia, que permite o reenvio dos migrantes para a Turquia.

Segundo a televisão pública grega ERT, os refugiados que o Papa Francisco vai levar, escolhidos de forma aleatória, pertencem a três famílias que se encontram no campo aberto de Kara Tepe, duas delas da região de Damasco e outra de Deir Azzor, de territórios ocupados pelo autoproclamado Estado Islâmico. Os refugiados - 12 no total, incluindo seis crianças - vão partir de Lesbos com o Papa ainda este sábado à tarde, confirmou o Vaticano.

O Papa Francisco chegou a Lesbos este sábado de manhã por volta das 10h locais (8h em Lisboa), para uma visita ao campo de detenção de Moria, onde vivem atualmente quase 3000 pessoas. À sua espera, no aeroporto de Mytilène, capital da ilha, estava o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras. No avião, o líder da Igreja Católica, dirigindo-se aos jornalistas, descrevera a viagem como “um pouco diferente das outras - uma viagem marcada pela tristeza, uma viagem triste”. “Vamos testemunhar o pior desastre humanitário desde a Segunda Guerra Mundial. Vamos ver tantas pessoas que estão a sofrer, que estão a fugir e não sabem para onde. Também vamos a um cemitério, o mar. Tantas pessoas que nunca chegaram”, afirmou.

Lesbos - a “ilha da solidariedade

Conhecida como “a ilha da solidariedade”, pela forma como os seus habitantes, nomeados para o Prémio Nobel da Paz, têm recebido os refugiados que todos os dias ali chegam, apesar das dificuldades económicas que eles próprios atravessam - Lesbos tornou-se a principal porta de entrada para a Europa. “Quando se gasta o último euro para comprar vegetais para fazer uma sopa para a vizinha, porque ela está doente, o que é que muda quando a crise dos refugiados bate à nossa porta? Nada”, disse uma residente na ilha, Gabriela Vati, em entrevista recente ao britânico “Guardian”. Com o acordo assinado entre a Europa e a Turquia - que determina que todos os que cheguem às ilhas gregas de forma ilegal e sem papéis sejam enviados de volta para a Turquia, caso não peçam asilo imediato na Grécia ou o seu pedido for rejeitado - o número de refugiados na ilha começou a diminuir.

Em Moria, o Papa cumprimentou centenas de refugiados que o esperavam. “Estou aqui para vos dizer que não estão sozinhos. O povo grego respondeu generosamente às vossas necessidades, apesar das suas próprias dificuldades (...) Vim aqui para estar convosco e ouvir as vossas histórias, para exigir ao mundo que preste atenção a esta crise humanitária grave e implorar que ela seja resolvida”, afirmou. “É preciso nunca esquecer que os migrantes, antes de serem números, são pessoas, rostos, nomes, histórias”, disse mais tarde, numa visita ao porto de Mytilène, já depois de ter almoçado com oito refugiados num contentor igual aos que servem de dormitório, como estava previsto.

Durante a viagem, o Papa Francisco esteve sempre acompanhado por Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla e líder espiritual das igrejas ortodoxas, e por Jerónimo II, arcebispo de Atenas e de toda a Grécia. Os três divulgaram uma declaração comum em que pedem ao mundo para dar mostras de “coragem” face à “colossal crise humanitária” dos refugiados.