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Internacional

Tribunal dos EUA aceita processo de proporções inéditas contra fabricante de armas

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John Moore

Juíza norte-americana recusou pedido da Remington Outdoor Co. e aceitou abrir processo judicial contra a fabricante de armas a pedido de familiares de dez vítimas do massacre de Sandy Hook. Caso pode vir a ter repercussões enormes num país onde até dez mil pessoas morrem por ano vítimas de ataques com armas de fogo

Os familiares de algumas das 26 vítimas do tiroteio na escola primária Sandy Hook, em dezembro de 2012, foram autorizadas por um tribunal norte-americano a abrir um processo judicial contra a fabricante da AR-15, que foi usada por Adam Lanza no ataque.

Numa decisão que pode vir a ter enormes ramificações num país onde até dez mil pessoas morrem por ano em ataques desta natureza, a juíza Barbara Bellis recusou o pedido apresentado pela Remington Outdoor Co., que tinha alegado "bases legais insuficientes" para que o processo avançasse.

De acordo com Bellis, a lei federal que protege os fabricantes de armas não anula a "suficiência legal" que está na base das alegações dos familiares das vítimas do massacre de Sandy Hook, que defendem que a arma que Lanza usou — uma espécie de espingarda de assalto, semi-automática e de tipo militar — nunca deveria ter sido disponibilizada para venda a civis.

Familiares de dez das vítimas interpuseram um processo contra a Remington Arms Company, a Camfour Holding LLC, que distribui este tipo de armas nos EUA, e contra a Riverview Sales, a loja onde a mãe de Lanza, também ela morta a tiro pelo filho, comprou a AR-15.

Segundo informações do jornal "Connecticut Times", a juíza ordenou os representantes da fabricante de armas e os familiares das vítimas a regressarem ao tribunal a 19 de abril, próxima terça-feira, para ser marcada a primeira audiência formal ao caso.

A 14 de dezembro de 2012, Adam Lanza, um jovem de 20 anos, abateu a tiro 20 alunos - com idades entre os 5 e 10 anos - e seis adultos na escola primária de Sandy Hook, na cidade de Newtown, no Connecticut, e depois suicidou-se. Foi um dos piores massacres cometidos nos Estados Unidos, que relançou o amplo debate sobre a posse de armas de fogo no país.