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Advogado que revelou dados embaraçosos do Panama Papers detido na China

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O Presidente chinês, Xi Jinping, é um dos vários citados nos documentos da Mossack Fonseca já escrutinados

KHALED ELFIQI / EPA

O ativista Ge Yongxi foi levado da sua casa em Foshan às primeiras horas da madrugada desta sexta-feira por ter partilhado dados do escândalo global de corrupção e evasão fiscal na sua conta de WeChat

Ge Yongxi, um proeminente advogado chinês conhecido por defender líderes religiosos e ativistas políticos e sociais do país, foi levado da sua casa ao início da madrugada desta sexta-feira, na cidade de Foshan, no sul da China, por cinco agentes da polícia.

A notícia foi avançada por ativistas e pelo seu advogado, que diz que o colega e amigo foi detido por ter partilha nas redes sociais informações embaraçosas para o regime contidas no caso Panama Papers, a maior fuga de informação de sempre, com base em documentos da sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca, sobre um alargado esquema global de evasão fiscal, lavagem de dinheiro e outros crimes de corrupção.

A divulgação de parte dos 11,5 milhões de documentos começou a 3 de abril e está a cargo do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) e seus parceiros em todo o mundo, uma rede de mais de 100 jornalistas e meios de comunicação entre os quais se inclui o Expresso.

De acordo com o grupo de ativistas Defensores de Direitos Humanos na China, a detenção de Ge está relacionada com publicações online do advogado sobre "líderes estatais". O mesmo grupo avança que os agentes da polícia enviados à casa do ativista lhe perguntaram diretamente se ele está envolvido em disseminação de material relacionado com o Panama Papers.

Chen Jinxue, o advogado do detido, disse ao "The Guardian" que Ge também está convencido de que a sua detenção está relacionada com essa megainvestigação de corrupção. "De acordo com os seus familiares, ele publicou alguma coisa sobre líderes de topo [do regime] na sua conta de WeChat", disse Chen ao jornal britânico. "Ele foi levado de casa por volta da meia-noite." A família de Ge foi informada pela polícia de que ele "foi levado para interrogatório" às primeiras horas da madrugada desta sexta-feira.

No Panama Papers, o Presidente chinês, Xi Jinping, é citado juntamente com o seu irmão e uma série de outros altos cargos do Partido Comunista como sendo detentores de empresas e contas bancárias offshore. Desde que a investigação do ICIJ foi tornada pública a 3 de abril, as autoridades chinesas impuseram total censura aos artigos online sobre o megacaso de corrupção.