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Secreta alemã desmente ter sido informada de que Abdeslam tinha planta de centro nuclear

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Getty Images

BfV desmente que o seu diretor se tenha reunido com membros do Bundestag para ser informado de que poderia ser um alvo do principal suspeito dos atentados de Paris, que foi detido em Bruxelas a 18 de março, quatro dias antes dos atentados que vitimaram 32 pessoas na capital belga

A agência de serviços secretos internos da Alemanha (BfV) negou esta quinta-feira à tarde a notícia avançada pelo grupo de media RND de que Salah Abdeslam, o principal suspeito dos atentados de novembro em Paris, teria em sua posse a planta do instituto alemão de investigação nuclear Jülich, situado na fronteira com a Bélgica. Segundo fontes de um comité parlamentar citadas pela cadeia Redaktionsnetzwerk Deutschland (RND), o diretor da BfV tinha sido informado desse facto "no final de março" durante uma reunião confidencial.

"Isso não é correto", disse uma porta-voz da secreta citada pela Reuters. "Não temos qualquer informação sobre isto. O nosso diretor [Hans-Georg] Maassen nunca falou com quaisquer membros do parlamento."

O grupo de media tinha noticiado que não só foi encontrada essa planta no apartamento do subúrbio de Bruxelas onde Abdeslam foi capturado a 18 de março, como fotografias e artigos retirados da internet relacionados com o diretor da BfV.

Abdeslam, de 26 anos e nascido e criado na Bélgica por pais marroquinos, foi detido no subúrbio de Molenbeek quatro dias antes de bombistas suicidas do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) terem levado a cabo atentados no aeroporto belga de Zaventem e na estação de metro de Maelbeek, perto da Comissão Europeia, provocando um total de 32 mortos e mais de 300 feridos. Abdeslam era procurado pelas autoridades belgas e francesas desde os atentados que, em novembro, provocaram 120 mortos em várias partes de Paris numa série de ataques coordenados.

Suspeitas de que os militantes do Daesh estavam concentrados na indústria nuclear já tinham surgido em fevereiro, quando o jornal belga "La Dernière Heure" avançou que as autoridades anti-terrorismo da Bélgica tinham em sua posse um longo vídeo em que um alto funcionário do Centro de Estudos Nucleares era espiado por uma câmara oculta, alegadamente plantada por militantes do Daesh em Mol, na Flandres. Também essa notícia foi desmentida à data pelas autoridades belgas.

O instituto de física nuclear cuja planta Abdeslam teria em sua posse quando foi capturado fica situado perto da fronteira com a Bélgica e serve, entre outras coisas, para armazenar lixo atómico. Em comunicado, o centro disse esta quinta-feira não ter qualquer indicação de perigo e sublinhou que está em contacto com as autoridades de segurança e supervisores nucleares.