Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Polícia religiosa da Arábia Saudita já não pode prender suspeitos

  • 333

Entre outras coisas, a polícia religiosa saudita é responsável por garantir que as mulheres andam cobertas da cabeça aos pés quando saem à rua

FAYEZ NURELDINE

Autoridades máximas sauditas retiram à polícia encarregada de fazer valer interpretação da lei islâmica o poder de deter suspeitos de crimes, pedindo-lhe que aja “com bondade e gentileza”

A partir desta quinta-feira, a polícia religiosa da Arábia Saudita, conhecida por força Haia ou Mutawaa, já não poder deter suspeitos de crimes, sendo obrigada a relatar às outras forças da autoridade as suas suspeitas sobre determinado indivíduo ou grupo.

A decisão foi tomada pelo conselho de ministros saudita, que pede a essa força que aja "bondosa e gentilmente" no seu trabalho de fazer cumprir a interpretação saudita da lei islâmica (Sharia). Sob as novas regras, os Mutawaa devem "levar a cabo os seus deveres de encorajar a virtude e de proibir o vício através de aconselhemento bondoso e gentil" e não através de detenções e violência, avança a Al-Jazeera.

"Nenhum dos líderes ou membros da força Haia podem parar ou deter ou perseguir pessoas nem pedir a sua identificação nem segui-las — isso está integrado na jurisdição da polícia e da unidade antidroga", ditam as novas regulações.

Anteriormente conhecida como Comissão de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, os seus membros são responsáveis por manter a segregação de sexos no país e por obrigar as mulheres a andarem tapadas da cabeça aos pés quando estão em público, para além de patrulharem zonas comerciais para garantir que as lojas estão encerradas durante as horas de orações.

Até agora, os membros da força Haia tinham autorização para deter pessoas por consumirem álcool ou drogas ou suspeitos de outros crimes, incluindo feitiçaria. Ao longo dos anos, as suas táticas foram sendo objeto de controvérsia, com o caso mais recente a remontar a fevereiro deste ano, quando um grupo de homens foi detido por ter atacado uma jovem mulher à entrada de um centro comercial da capital, Riade.

Em 2013, alguns agentes da polícia religiosa foram também detidos após o seu carro de patrulha ter embatido num outro veículo durante uma perseguição que provocou a morte de dois civis.