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O microship que devolveu os movimentos a um tetraplégico

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Ian Burkhart ficou tetraplégico com 19 anos. Anos mais tarde sujeitou-se a uma tecnologia experimental, que permitiu fazer algo que lhe disseram que nunca mais conseguiria

Aos 19 anos Ian Burkhart ficou tetraplégico num acidente. Agora, seis anos depois surge uma nova esperança: uma equipa de investigadores conseguiu que o jovem, apenas pensando no movimento, conseguisse mexer o braço, o pulso e os dedos do lado direito. A descoberta foi publicada esta quinta-feira na revista “Nature” e passa pela implantação de um microchip que envia sinais do cérebro para os músculos em tempo real.

"A primeira vez quer pude abrir fechar a mão, deu-me realmente uma sensação de esperança no futuro”, referiu Ian Burkhart.

Comecemos pelo o início da história, que agora parece despontar a esperança num final feliz. Em 2010, Ian Burkhart estava de férias com um grupo de amigos. Na praia, nadavam e rasgavam as ondas com os mergulhos. Uma onda mais forte arrastou-o até um banco de areia, onde embateu e partiu o pescoço.

Ian foi levado para o hospital. No dia seguinte disseram-lhe que tinha lesões na medula espinhal e estava paralisado para o resto da vida. “Quando temos 19 anos achamos que somos invencíveis. E assim de repente, todo a independência é tirada”, recordou.

Em meados de 2014, o jovem soube que, a poucos minutos de sua casa, uma equipa de investigadores da Universidade do Estado do Ohio, em Columbus, estava a desenvolver um tecnologia de reanimação. Com pouco a perder, Ian arriscou e candidatou-se como voluntário para que lhe fosse implantado um microchip na cabeça.

O que acontece é que quando Ian pensa que quer mover a mão, esse chip deteta um padrão de atividade elétrica, que transmite para um computador. A máquina, através de algoritmos, traduz o sinal para mensagens elétricas que, por sua vez são enviadas para uma espécie de manga que está colocada no braço direito do jovem. As mensagens estimulam os músculos, o que que permite o movimento.

Apenas um dia após a operação, Ian já abria e fechava a mão. “Era algo muito pequeno, mas ao mesmo tempo era algo que já não conseguia fazer há pelo menos três anos. Desde então tenho sido capaz de fazer uma série de coisas que as pessoas com lesões como a minha não são capazes”, contou.

Por agora, ainda está em fase experimental, o mecanismo só pode ser utilizado em laboratório e precisa de ser calibrado antes de cada utilização. Por isso mesmo, Ian não o pode levar e utilizá-lo no dia-a-dia.

“Não ser capaz de andar, até nem me importo porque consigo fazer muitas coisas com a cadeira de rodas. Mas se fosse possível usar as mãos, seria muito mais independente. No entanto, mesmo que isto seja uma coisa que nunca possa levar para casa, fico feliz por ter sido parte deste estudo. Diverti-me e também sei que fiz muito para ajudar outras pessoas”, disse.