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Ministro do Interior belga compara terroristas de Paris e Bruxelas a judeus na ocupação nazi

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ERIC VIDAL / REUTERS

Jan Jambon comparou a detenção de Salah Abdeslam e Mohamed Abrini, responsáveis pelos ataques bombistas em Paris e Bruxelas, com o refúgio dos judeus na Bélgica durante a ocupação nazi. As declarações inflamaram a comunidade judaica belga

O ministro do Interior belga comparou as detenções dos terroristas Salah Abdeslam e Mohamed Abrini, responsáveis pelos ataques terroristas em Paris e Bruxelas, com "os judeus que se esconderam na Bélgica durante a ocupação nazi". As polémicas declarações de Jan Jambon aconteceram numa entrevista dada ao canal oficial do N-VA (Nova Aliança Flamenga), partido do qual o ministro é membro.

A comparação polémica do membro do Governo aconteceu no último sábado, mas só começou a gerar polémica depois de as declarações terem sido divulgadas por um estudante que as colocou na sua conta do Twitter.

Os meios de comunicação belgas já vieram criticar as declarações do ministro, com o jornal "La Libre" a recomendar a Jambon que tenha "certos cuidados" para evitar "comparações desastrosas". Por sua vez, a comunidade judaica, citada no diário israelita "Haaretz", também condenou as declarações "desastrosas" de Jambon, considerando que são "incompreensíveis e chocantes para todos os que deram refúgio aos judeus durante a ocupação, arriscando a vida".

Em 2004, o ministro do Interior belga já havia dito que os colaboradores dos nazis “tinham as suas razões”

Em 2004, o ministro do Interior belga já havia dito que os colaboradores dos nazis “tinham as suas razões”

JULIEN WARNAND / EPA

Em resposta, o ministro do Interior defendeu-se, alegando que não pretendia estabelecer um paralelismo entre os terroristas e os judeus durante a II Guerra Mundial que "se escondiam e, graças ao apoio da população, conseguiam permanecer muito tempo na clandestinidade". Jan Jambon declarou, no entanto, que "os judeus enfrentavam um regime de terror que estava constantemente à sua procura e que felizmente não os encontrava".

O gabinete do ministro já havia garantido que este não teve a "intenção de atingir a população judaica do país" e que as suas declarações "apenas se referem ao aspeto técnico de encontrar refúgio".

Esta não é a primeira vez que o ministro causa controvérsia. Em 2004, o ministro afirmou que os colaboradores dos nazis durante a ocupação "tinham as suas razões para o fazer". Apenas pediu desculpa quando ameaçaram a sua demissão.