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Possível Governo de Temer desilude economistas

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EVARISTO SA/GETTY

A possibilidade de Michel Temer substituir Dilma Rousseff na presidência do Brasil não soluciona a crise económica. Economistas e agências de notação alinham pelo mesmo diagnóstico

A maior recessão económica dos últimos 25 anos explica em boa parte a contestação ao governo de Dilma Rousseff. Mais do que a política, boa parte dos brasileiros sente na pele o desemprego e a carestia de vida. Uma recessão que se explica pela queda abrupta do preço das mercadorias e por fragilidades do sistema económico sentidas desde os anos 90 com um baixo crescimento do PIB.

Mas a eventual destituição de Dilma ou pelo menos o seu afastamento por seis meses já a partir da próxima semana não vai resolver a crise. Muitos economistas duvidam da eficácia de uma política económica de um governo liderado por Michel Temer, o atual vice-presidente e líder do PMDB.

Qualquer alternativa a Dilma Rousseff é tão “tóxica” quanto ela, defendeu um ex- diretor do Banco Mundial em entrevista à BBC Brasil. “Muita gente tem a sensação de que Dilma não é a líder de que o Brasil precisa neste momemento, mas o problema é o que fica, não há alternativa”, afirmou Moisés Naim. “Todos os que a poderiam substituí-la depois do processo estão contaminados, são tão tóxicos quanto ela”, acrescentou à BBC Naim. Para o também ex-editor da revista Foreign Policy o atual sistema brasileiro impede a adoção de reformas necessárias. “Não se pode ter um défice fiscal como há no Brasil”, exemplificou lembrando que os tempo dos preços altos das matéria-primas acabou.

Um grave retrocesso neo-liberal

“É um equívoco a tese de que, com a destituição, os empresários reestabelecem a sua confiança e o Brasil volta ao paraíso”, alertou o economista e um dos fundadores do PSDB, Luiz Carlos Bresser-Pereira. Numa entrevista à revista digital “Calle2”, o ex-ministro de José Sarney e de Fernando Henrique Cardoso admite que um eventual governo do PMDB utilizaria uma reforma fiscal mais agressiva e uma “populista” valorização do real. “Isso iria condenar o Brasil a uma estagnação de longo prazo”, acrescento o economista que se desligou em 2011 do PSDB, o maior partido da oposição.

Para o economista, a solução já não passa pelo ajuste fiscal, mas sim continuar a cortar na despesa corrente do Governo e estimular a despesa de investimento a nível federal e estadual.

Estagnação mantém-se, dizem“Três Grandes”

Para a três maiores agências de notação financeira do mundo, nem Dilma nem Temer conseguem evitar a estagnação da economia brasileira. Segundo um inquérito realizado pela BBC Brasil junto de analistas da Moody's, Fitch e Standard&Poors, qualquer que seja o desfecho da votação de domingo no parlamento, não haverá grandes melhorias na economia. Mesmo que Dilma seja suspensa já no domingo, as três agências defendem que as perspetivas económicas se vão manter negativas até pelo menos 2018.

Caso o parlamento vote pelo envio da destituição para o Senado – o que automaticamente suspende Dilma por seis meses – o previsível papel de oposição por parte do PT será um fator que ainda não está contabilizado. A promessa de luta feita pelo PT e seus aliados, deixa entrever protestos e greves que se vão refletir na economia. Também uma polarização mais acentuada e um governo assumido interinamente não deixará de refletir-se na governabilidade.

Segundo a BBC, as três notadoras consideram essencial que o Brasil inicie reformas, sobretudo fiscais, para sanear o défice e atrair o investimento. A Fitch, Moody's e S&P mantêm a nota negativa para o país.

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