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Merkel apanhada no meio de guerra entre Presidente turco e comediante alemão

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Um cartaz mostra a cara de Jan Boehmermann sob a palavra "Desaparecido" à entrada da 52ª cerimónia dos prémios Grimme a 8 de abril

Andreas Rentz

Jan Boehmermann dedicou poema provocador ao líder da Turquia no seu programa na emissora estatal alemã e abriu uma guerra diplomática

Recep Tayyip Erdogan apresentou uma queixa formal em tribunal contra um comediante alemão que recitou um poema satírico sobre a sua presidência da Turquia, num incidente que criou uma dor de cabeça diplomática para a chanceler Angela Merkel.

A queixa foi apresentada esta terça-feira, no mesmo dia em que as autoridades da União Europeia e da Turquia continuavam a tentar implementar o acordo alcançado no mês passado, que prevê o retorno forçado de milhares de refugiados e migrantes encurralados na Grécia para o país do outro lado do Mediterrâneo

Na base da queixa de Erdogan está o episódio de 31 de março do programa "Neo Magazin Royale", transmitido pela televisão televisão pública alemã ZDF. Nesse dia, o apresentador e comediante Jan Boehmermann recitou um poema dedicado ao Presidente turco, com referência a bestialismo e acusações de repressão e maus-tratos de minorias como os curdos turcos e os cristãos.

O poema, que a Al-Jazeera diz ser "uma aparente provocação deliberada" por Boehmermann, gerou um incidente diplomático entre a Turquia e a Alemanha e restantes Estados-membros da União Europeia, numa altura em que cada vez mais figuras ocidentais acusam o país, aspirante a pertencer ao bloco europeu, de não respeitar as liberdades dos seus cidadãos e de tentar silenciar as vozes da oposição.

Para exigir que o comediante seja julgado, Erdogan recorreu ao parágrafo 103 do código penal da Alemanha, que proíbe cidadãos alemães de insultarem organismos ou representantes de outros Estados, um prágrafo usado tão raramente que até advogados proeminentes e políticos nunca tinham ouvido falar dele até esta semana.

O facto de Erdogan querer sentar Boehmermann no banco dos réus por causa do poema satírico põe Merkel entre a espada e a parede, leia-se, entre apoiar o cidadão alemão e o seu direito à liberdade de expressão ou apoiar o Presidente da Turquia para garantir o seu contínuo apoio na questão dos refugiados.