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Ucrânia em nova crise política procura substituto do primeiro-ministro demissionário

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Poroshenko, envolvido no escândalo de corrupção Panama Papers, queria substituir o primeiro-ministro pelo porta-voz do parlamento, seu aliado, que terá recusado o cargo

Getty Images

Após Arseny Iatseniuk ter apresentado a sua demissão no domingo sob suspeitas de corrupção, porta-voz do Parlamento foi apontado como substituto interino mas há rumores de que não aceitará o cargo

O Parlamento da Ucrânia vai tentar esta sexta-feira votar o substituto do Arseny Iatseniuk, o primeiro-ministro demissionário que, este domingo, apresentou a sua demissão sob suspeitas de corrupção e acusações de inação política. Volodymyr Groysman, atual porta-voz do Parlamento ucraniano, foi nomeado pelo partido do Presidente Petro Poroshenko para substituir interinamente Iatseniuk, mas ao final desta segunda-feira, aponta a BBC, surgiram rumores de que não aceitará ocupar o cargo.

A demissão de Iatseniuk e as ameaças de uma nova crise política na Ucrânia surgem numa altura em que o governo apoiado pelo Ocidente após a deposição do Presidente pró-Rússia Viktor Ianukovitch, no início de 2014, continua a tentar aplicar um programa de reformas políticas e financeiras para se aproximar dos padrões da União Europeia.

A demissão de Iatseniuk aconteceu mais de dois meses depois da primeira baixa no seu governo, quando o ministro da Economia Aivaras Abromavicius resignou ao cargo após acusar o executivo de não estar suficientemente comprometido com o combate à corrupção endémica no país. Entre a demissão de Abromavicius e do primeiro-ministro, uma série de outros membros da ala reformista abandonaram o governo.

A perda de apoio parlamentar tinha levado Iatseniuk a pedir ao Presidente para se demitir em fevereiro; apesar de ter sobrevivido a um voto de confiança no Parlamento, o primeiro-ministro agora demissionário continuou a angariar pouco apoio nas sondagens. O plano inicial era que fosse substituído pelo porta-voz do Parlamento, aliado próximo de Poroshenko. Mas, segundo dois deputados ucranianos, desacordos quanto a quem ocupará os principais cargos do governo terão levado Groysman a recusar o cargo.

A crise política a adensar-se na Ucrânia surge numa altura em que o próprio Poroshenko é citado em parte dos 11,5 milhões de documentos da Mossack Fonseca, uma socieade de advogados panamiana que ajuda milionários e grandes empresas a esconderem as suas fortunas e bens em paraísos fiscais. Os documentos que começaram a ser revelados a 3 de abril pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) e seus parceiros, incluindo o Expresso, indicam que o atual Presidente da Ucrânia mudou a morada fiscal da sua empresa de chocolates, a Roshen, para as Ilhas Virgens Britânicas em 2014.

O líder que prometeu combater a corrupção e que está sob ameaça de um voto de destituição no parlamento por causa do caso Panama Papers continua a defender que não fez nada de errado sob a lei internacional e o direito ucraniano.