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Líder religioso criticado na Índia por dizer que entrada das mulheres em templos aumentará violações

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NOAH SEELAM/GETTY IMAGES

Declarações proferidas depois de o Supremo Tribunal de Maharashtra ter posto fim a uma proibição com 400 anos, que impedia a entrada de mulheres no templo Shani Shingnapur, estão a provocar a ira de vários ativistas defensores dos direitos das mulheres

As declarações de um líder religioso hindu geraram muita controvérsia na Índia, depois de Shankaracharya Swaroopanand afirmar que a entrada de mulheres no templo Shani, no estado de Maharashtra, levará à ocorrência de mais violações.

Swaroopanand, de 94 anos, foi muito claro: “As mulheres não devem sentir-se triunfantes por poder visitar o santuário”. O seu livre acesso ao templo “vai trazer má sorte e dar origem a mais crimes, como violações”.

O líder religioso foi citado pelo jornal “Indian Express”, no domingo, e desde então vários grupos de ativistas defensores dos direitos das mulheres têm criticado a declaração, que consideram atentar contra a dignidade das mulheres.

No Twitter e no Facebook, o comentário do líder religioso caíu como uma bomba e foram vários os internautas que não deixaram de condenar a afirmação discriminatória. “Quem é Shankaracharya Swaroopanand? Ele foi criado pelo mesmo Deus que criou as mulheres? Ele não foi recriado por uma mulher?”, questionou Deepa Roy Chowdhurry, uma escritora e blogger indiana no Twitter.

“Se pessoas como Shankaracharya Swaroopanand decidissem as práticas religiosas...só Deus pode salvar a religião”, escreveu Rahul Raj, um músico indiano.

Na semana passada, o Supremo Tribunal de Maharashtra pôs fim a uma proibição com 400 anos, que impedia a entrada de mulheres no templo Shani Shingnapur, dedicado ao deus hindu Shani, que simboliza o planeta Saturno.

Durantes estes anos, os líderes do templo alegavam que a proibição da entrada de mulheres no local visava proteger as mulheres de radiações que poderiam causar febre às mulheres ou deformações nos fetos no caso das grávidas.

Grupos de defesa dos Direitos Humanos têm vindo a lutar contra proibições semelhantes, como a que está ainda em vigor no santuário muçulmano Haji Ali Dargah, em Bombaim.