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Enganadas, torturadas, violadas. O drama de 75 refugiadas sírias na Líbia

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Testemunhos de vítimas da maior rede de tráfico de mulheres, que foi desmantelada na semana passada na Líbia, são devastadores. 75 refugiadas sírias viveram vários anos em cativeiro sob condições desumanas

Levam consigo poucas coisas, além de esperança. Como quase todos os refugiados. Mas por vezes essa esperança é frustrada, fustigada. Aconteceu a 75 mulheres sírias que chegaram à Líbia: acabaram enganadas, torturadas e violadas. Viveram durante vários anos em cativeiro e foram feitas escravas e obrigadas a prostituir-se. Um dos médicos que acompanhava estas jovens vítimas de uma rede de tráfico humano confessou que terá procedido a mais de 200 abortos.

“Cheguei ao Líbano depois de perder a minha família na guerra. Numa tarde em Beirute conheci o P., que disse depois que estava apiaxonado por mim ”, explicou a uma ONG local Sally, uma das vítimas, citada pelo “El Mundo”. A jovem, que tem agora 27 anos, confessa ter acreditado que iria casar-se com esse homem e ter filhos, mas acabou por estar presa num bordel em Junieh, situado a cerca de 20 kms da capital libanesa. Depois diz que desistiu de lutar contra uma situação a que não poderia fugir. Conta que eram agredidas nos pés e noutras zonas do corpo menos visíveis para não chamar tanto a atenção. “Mesmo assim, às vezes os clientes perguntavam o que nos tinha acontecido, mas ninguém fazia nada.”

Serena, outra jovem síria de 27 anos, diz que o seu processo foi semelhante. Conheceu um homem no Líbano que prometeu casar-se com ela, não imaginando que estava a lidar com um membro da rede de tráfico de mulheres. Ela e outras vítimas passaram fome, porque o seu “corpo não era desejável para os clientes”.

A Amnistia Internacional alerta que as refugiadas sírias enfrentam maiores riscos de exploração e abuso sexual, apelando ao maior cuidado por parte das autoridades libanesas.