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Egito ofereceu duas ilhas ao rei saudita, povo contesta

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Ilhas foram oferecidas como “mostra de gratidão” durante a visita oficial ao Egito do rei Salman

A decisão do Egito de oferecer duas ilhas do Mar Vermelho à Arábia Saudita está a gerar imensa indignação e debate entre os egípcios. O anúncio da transferência da soberania das ilhas Tiran e Sanafir ocorreu no âmbito da visita de cinco dias que o rei Salman efetuou ao Egito, que terminou esta segunda-feira. Cinco pessoas foram detidas quando tentavam levar a cabo um protesto no Cairo contra a entrega das ilhas.

Desde a deposição do regime do presidente Mohamed Morsi, em 2013, a Arábia Saudita tem dado grande apoio ao Egito e a oferta das ilhas surgiu como “mostra de gratidão”. Muitos egípcios consideram contudo que se tratou de uma humilhante concessão perante um aliado rico.

A soberania das ilhas em causa havia sido transferida pela Arábia Saudita para o Egito em 1950, no âmbito dos receios de que viessem a cair sobre o controlo israelita. Apesar de se tratarem de duas ilhas desabitadas e áridas, a sua localização na entrada do Golfo de Aqaba, onde tanto Israel como a Jordânia possuem portos, tem grande importância estratégica.

O regime egípcio justificou a entrega das ilhas alegando que tinham sido temporariamente protegidas pelas forças egípcias, em sequência de um pedido de auxílio do rei saudita Abdul-Aziz em 1950. Os opositores consideram no entanto que o tratado assinado em 1906 entre a Grã-Bretanha e o Império Otomano coloca as ilhas em território egípcio.