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Cinco migrantes afogados e quatro desaparecidos no mar Egeu

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Acidente aconteceu ao largo da ilha grega de Samos, quando a embarcação em que haviam partido da costa turca se virou

Cinco migrantes morreram esta manhã afogados no mar Egeu, ao largo da ilha grega de Samos, quando a embarcação em que haviam partido da costa turca se virou, e outros quatro estão desaparecidos, indicou a guarda costeira.

Este naufrágio é o primeiro nas águas gregas do mar Egeu desde o recente e polémico acordo entre a União Europeia (UE) e a Turquia, pelo qual a Grécia é obrigada a enviar para a Turquia todos os migrantes ilegais chegados ao seu território após 20 de março, incluindo os requerentes de asilo, se os respetivos pedidos tiverem sido rejeitados pelas autoridades gregas.

"Sobreviveram cinco pessoas, quatro foram dadas como desaparecidas e cinco morreram - uma criança e quatro mulheres - no naufrágio da sua embarcação de plástico com 3,5 metros de comprimento", disse um responsável da guarda costeira grega, citado pela agência de notícias francesa AFP.

Entre os sobreviventes, está o presumível traficante dos migrantes, que foi detido, segundo um comunicado da guarda costeira divulgado esta tarde.

A criança sucumbiu aos ferimentos sofridos quando se encontrava já a bordo de um barco da Agência de Vigilância das Fronteiras Europeias (Frontex), depois de ter sido recuperada pela tripulação, juntamente com os cinco sobreviventes e os cadáveres das outras quatro vítimas, precisou a mesma fonte.

Prosseguiram as buscas para resgatar os quatro desaparecidos que seguiam também no barco naufragado, de acordo com declarações dos sobreviventes.

Apesar das tentativas da UE de dissuadir os migrantes de virem para a Europa, continuaram desde o início do ano as chegadas de migrantes à Grécia, bem como os naufrágios, que têm vitimado muitas crianças.

Segundo as estatísticas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgadas na sexta-feira, mais de 150.000 pessoas chegaram à Grécia procedentes da Turquia desde 1 de janeiro, a maioria das quais eram sírias. Na viagem, morreram 366.

Um relatório do Alto-Comissariado das Nações Unidas dos Refugiados (ACNUR) divulgado em meados de fevereiro salientou que, "em média, morrem duas crianças afogadas por dia desde setembro de 2015, durante a tentativa de travessia do leste do Mediterrâneo das suas famílias (para alcançar a Europa), e o número de mortes de crianças continua a aumentar".

O anterior naufrágio nas águas gregas do Egeu ocorreu a 14 de março e saldou-se no desaparecimento de oito pessoas ao largo da ilha de Cós.

Contudo, o número de naufrágios em águas gregas baixou em março, em relação aos dois meses anteriores, porque nos últimos tempos, os barcos da guarda costeira grega e do Frontex fazem patrulhas diárias e levam para a costa os migrantes que encontram a bordo de embarcações precárias, procedentes da costa turca.

O número de entradas nas ilhas gregas baixou também nos últimos dias: entre sexta-feira de manhã e hoje, chegaram 120 pessoas, em contraste com 144 no dia anterior, de acordo com dados oficiais.

"Há uma redução razoável das chegadas [...], o que é um alívio, porque as necessidades de identificação e acolhimento dos migrantes nas ilhas depois de 20 de março são enormes", indicou o ministro dos Assuntos Europeus grego, Nikos Xydakis, em conferência de imprensa conjunta com seis ministros europeus que se deslocaram à Grécia para fazer o ponto da situação da crise migratória.

Desde 20 de março, cerca de 7.400 pessoas desembarcaram nas ilhas.