Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Protestos na largada do segundo ferry com refugiados “devolvidos” à Turquia

  • 333

STRATIS BALASKAS/EPA

Partiu esta sexta-feira o segundo ferry com 45 refugiados a bordo, da ilha grega de Lesbos em direção à Turquia, cumprindo o polémico acordo a que chegou União Europeia sobre o tema. Em terra, uma pequena multidão gritou palavras de protesto, exortando a “União Europeia” a ter “vergonha”

Foi sob uma chuva de protestos e gritos de palavras de ordem que o segundo "ferry" com refugiados saiu esta sexta-feira do porto de Lesbos, rumo à Turquia, implementando o novo acordo da União Europeia sobre o tema dos refugiados. "Parem as deportações", "UE tem vergonha", e "Liberdade para os refugiados" foram algumas das frases gritadas por cerca de 30 pessoas que ali se encontravam em protesto contra a "devolução" de 45 refugiados, a maioria oriundos do Paquistão. Dois ativistas atiraram-se mesmo à água e penduraram-se na âncora do navio, exibindo o 'V' de vitória. Já na segunda-feira partira a primeira embarcação, com 202 refugiados a bordo, a maioria do Paquistão e Afeganistão.

Estas viagens entre a Grécia e a Turquia fazem parte do polémico acordo sobre os refugiados que foi decidido pela União Europeia há precisamente um mês, para travar o imenso fluxo migratório. Recorde-se que em 2015 chegaram à Europa mais de um milhão de refugiados, e nos dois primeiros meses deste ano, chegaram mais de 100.000, segundo a Organização Internacional para as Migrações. 3735 morreram na tentativa de uma vida (melhor).

Ficou estipulado que todos os refugiados - incluindo Sírios em fuga da guerra civil que assola o seu país - que entrassem por via ilegal na Europa seriam redirecionados para Ancara, na Turquia. Em contrapartida, a União Europeia comprometeu-se a trazer e tentar integrar o número equivalente de refugiados do que os encaminhados para a Turquia e a aumentar a recompensa monetária ao país liderado por Erdogan. Falamos de mais 3000 milhões de euros destinados à assistência aos refugiados, isenção de visto para os cidadãos turcos em viagem na UE a partir de junho, e a promessa de avançar no processo de adesão da Turquia no grupo europeu.

O Papa Francisco já fez saber que se deslocará à ilha de Lesbos no próximo dia 16, estando previstos encontros com refugiados. Este tem sido, de resto, um tema pelo qual o Papa muito se tem batido, apelando aos Católicos para que tenham empatia para com estes migrantes forçados. O encontro deverá ocorrer no centro de acolhimento aos refugiados instalado no porto de Lesbos. Francisco desloca-se à Grécia a convite do Presidente daquele país, Prokopis Pavlopoulos, e do patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu.