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Presidente Mauricio Macri apresenta-se hoje à Justiça

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JUAN MABROMATA/AFP/GETTY

Presidente argentino irá prestar esclarecimentos em tribunal sobre a sociedade revelada pelo Panama Papers. Macri também anunciou que, a partir de segunda-feira, todo o seu património será posto num fundo, administrado por terceiros

O Presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou que se apresentará nesta sexta-feira perante a Justiça porque "não tem nada a ocultar". Macri disse que fica à disposição de qualquer juiz do país para provar que não houve "omissão maliciosa" na sua declaração de impostos sobre uma sociedade nas ilhas Bahamas, revelada pela investigação "Panama Papers".

O Presidente argentino aparece como diretor de uma empresa de nome Flag Tradind, criada pelo pai dele, o empresário Franco Macri, em 1998. Segundo Macri, a sociedade tinha como objetivo investir no estrangeiro, especialmente no Brasil, mas nunca teve ativos, movimento de capitais nem conta bancária até que foi encerrada dez anos depois, em 2008. O Presidente explicou que, como nunca recebeu nada por essa participação, não tinha por que incluir a sociedade na sua declaração, mas mostrou documentos fiscais do pai, enquanto dono da empresa.

"Estou muito tranquilo. Cumpri com a lei, informei com a verdade e não tenho nada a ocultar", garantiu Macri. "Além disso, amanhã vou-me apresentar perante a Justiça com toda a informação para que um juiz verifique que tudo o que disse é verdade, que não houve 'Omissão maliciosa' na minha declaração de 2007. Também estou a disposição de qualquer outro juiz", afirmou durante uma cerimónia na Casa Rosada na qual também anunciou um projeto-lei para tornar pública toda a informação oficial do governo, para qualquer cidadão que a solicitar, num prazo de 15 dias.

Macri também anunciou que todos os seus bens serão administrados, a partir de segunda-feira, por "um conjunto de pessoas independentes", sem contacto com ele, enquanto durar a sua Presidência. A criação de uma administração independente da sua fortuna era uma promessa de campanha cujos prazos o Panama Papers acelerou.

A iniciativa, que visa evitar conflitos de interesses entre o património original e a função pública, é inédita na Argentina e está inspirada no exemplo do ex-Presidente do Chile, Sebastián Piñera, um milionário que mantém amizade com Macri antes mesmo de assumir a Presidência no Chile em 2010.

O anúncio de Macri de apresentar-se voluntariamente à Justiça acontece no mesmo dia em que o Presidente foi tecnicamente indiciado pelo Ministério Público para ser investigado por "Omissão Maliciosa" pela sociedade num paraíso fiscal.

O promotor federal, Federico Delgado, avançou com a denúncia penal do deputado opositor, Norman Martínez, para quem "essas sociedades são meios para lavar dinheiro, sonegar impostos e esconder segredos financeiros de seus diretores e acionistas".

Para investigar uma suposta evasão de impostos ou uma lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas, o primeiro passo é saber se houve uma "Omissão Maliciosa" na declaração de impostos. Caberá ao juiz Sebastián Casanello decidir se leva o caso adiante ou se o arquiva.

A denúncia ocorre na mesma semana em que um ex-membro do governo dos Kirchner e um empreiteiro kirchnerista foram presos suspeitos de corrupção e de lavagem de dinheiro. O caso do empresário com uma série de negócios cruzados com os Kirchner também é investigado pelo mesmo juiz Casanello.