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Papa deixa de fora a condenação dos métodos anticoncecionais e a proibição dos divorciados receberem sacramentos

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Getty

Mais do que entrar em rutura , ao longo das 256 páginas em que fala sobre “A Alegria do Amor”, o Papa Francisco procura contornar os aspetos mais conservadores da Igreja relativamente à sexualidade

O Papa Francisco defende que “consciência individual dos casais” deve ser o elemento pelo qual os católicos devem reger o seu comportamento relativamente às complexidades do sexo, casamento e vida familiar.

Em “A Alegria do Amor”, o documento de 256 páginas apresentado esta sexta-feira, o chefe da Igreja Católica opta por não entrar em rutura, fazendo mesmo questão de citar no documento os seus predecessores, como João Paulo II, mas fá-lo de uma forma seletiva, deixando de fora determinadas posições, nomeadamente a condenação dos métodos anticoncecionais artificiais.

“Eu percebo que aqueles preferem um acompanhamento pastoral mais rigoroso que não deixa lugar para a confusão (…) Mas eu acredito sinceramente que Jesus quer uma igreja atenta à bondade através da qual o Espírito Sagrado se revela no seio da fraqueza humana”, escreve o chefe da Igreja Católica, “nós fomos chamados para formar consciências, não para as substituir”.

O Papa fala num caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, considerando que não existe uma solução única para estas situações.

“Não pode continuar simplesmente a ser dito que aqueles que vivem em situações irregulares estão a viver em pecado mortal e possam ser privados da graça santificadora”.

Uma posição que surge após no ano passado ter tornado mais fácil a obtenção da declaração de nulidade de casamentos.

“O divórcio é um mal e é muito preocupante o aumento do número de divórcios”, lamenta, considerando no entanto que entre os divorciados a viverem numa nova união podem encontrar-se situações “muito diferentes”, que não devem ser “catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas”.

Nas notas de rodapé, cita o seu anterior documento “A Alegria do Evangelho” referindo que a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos mas um medicamento poderoso e alimentação para os fracos”.

Neste novo texto, cita também o “Familius Consortio”, criado pelo em 1981 pelo Papa João Paulo II, cuja doutrina era caracterizada pela manutenção de uma linha conservadora em relação à sexualidade, mas fá-lo de modo seletivo, deixando de fora, nomeadamente a proibição dos sacramentos para os divorciados e para aqueles casados apenas pelo civil.

Também não faz qualquer referência à condenação dos métodos anticoncecionais artificiais, fazendo por outro lado uma única referência à abstenção de relações sexuais durante o período fértil das mulheres como forma de controle de natalidade. Escreve que esse métodos deve ser promovidos, mas não indica que os outros são proibidos.

Insiste na necessidade das crianças receberem educação sexual.

Em relação aos homossexuais, não vai além da posição anteriormente assumida de que não devem ser discriminados e que são bem-vindos na igreja, onde serão tratados com dignidade e respeito. Mantendo a rejeição do casamento gay.