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Chissano confirma colaboração com o KGB

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Rui Duarte Silva

Em entrevista a um jornal moçambicano, o antigo chefe de Estado confirmou colaboração com a secreta russa mas negou ter sido espião

O antigo Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, admitiu esta sexta-feira ter colaborado com o KGB, os serviços secretos da extinta União Soviética, no âmbito da ajuda prestada por este país à Frelimo, mas negou ter sido espião.

“Sim, existiu uma ligação e essa ligação foi que eu tive treino militar na União Soviética e um dos assuntos em que eu fui treinado foi precisamente na inteligência para penetrarmos na zona inimiga. Falo dos portugueses”, afirma o antigo chefe de Estado numa entrevista publicada esta sexta-feira no semanário “Savana”, de Maputo.

Ta como noticiou o Expresso (ver relacionados no final deste artigo), com base em documentos recentemente desclassificados, Joaquim Chissano colaborou com os serviços de informação russos, com o nome de código "TZOM"

"Sim, tinha de dar informação, mas não era tanto como eles falam, de espião. Era com o intuito de beneficiarmos de apoios por parte da União Soviética", respondeu quando questionado sobre a natureza da colaboração que manteve entre 1966 e 1968 com o KGB.

O ex-Presidente explicou ainda que essa colaboração era necessária como parte da criação de condições de apoio à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) na luta contra o colonialismo português pela independência do país.

"Através da KGB, recebíamos dinheiro, não era para mim, era para a Frelimo, para ajudar-nos a realizar o nosso trabalho de inteligência e contra inteligência, para a proteção da própria Frelimo e para a busca de informações do outro lado (português)", disse Joaquim Chissano.

  • Ainda há esqueletos no armário sobre atividades do KGB em Portugal

    As implicações do Arquivo Mitrokhin, e as ligações portuguesas, reveladas na última edição do Expresso, não têm fim à vista. Agora, o politólogo António Costa Pinto e a historiadora Irene Pimentel comentam a posição do PCP. Esta última lembra, a propósito, que o desvio para Moscovo dos arquivos da PIDE referentes às agências secretas também implica o partido. E que, em 1995, uma resolução do Parlamento prometeu abrir um inquérito para saber o que aconteceu. Ainda nada se fez