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Panama Papers forçam demissão de CEO de banco austríaco

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O banco regional Hypo Landesbank Vorarlberg e o Raiffeisen Bank International (RZB) são as duas instituições bancárias da Áustria que aparecem citadas nos Panama Papers

AFP

Diretor executivo do Hypo Landesbank Vorarlberg é o primeiro dirigente de topo do setor bancário mundial a resignar ao cargo por ligações à sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca

Michael Grahammer, que era diretor-executivo do banco austríaco Hypo Landesbank Vorarlberg desde 2012, apresentou a sua demissão esta quinta-feira no âmbito do escândalo Panama Papers. O banco recebeu o seu pedido "com surpresa", nota a Reuters.

A ORF, emissora estatal austríaca, que tal como o Expresso é parceira do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), tinha avançado na quarta-feira que o banco surge citado em documentos da firma de advogados panamiana Mossack Fonseca, como sendo detentor de empresas offshore através de depositários com sede no Liechtenstein.

"Continuo 100% convencido de que o banco não violou quaisquer leis ou sanções em momento algum", declarou Grahammer, citado num comunicado do banco cuja maioria das ações estão concentradas na província de Vorarlberg, na fronteira com o Liechtenstein e a Suíça. O agora ex-CEO do banco disse ainda que a sua decisão resultou de uma série de acontecimentos no último ano. "No final, o préjulgamento dos media sobre o Hypo Vorarlberg e sobre mim próprio nos últimos dias foi decisivo para este meu passo", assumiu.

O FMA, regulador austríaco de mercados financeiros, já está a investigar as alegadas ligações do Hypo Vorarlberg e de outros banco austríaco, o Raiffeisen Bank International, ambos mencionados nos Panama Papers.

Mais de 11 milhões de ficheiros da sociedade de advocacia foram entregues ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" por um anónimo, comprovando a existência de uma vasta rede de corrupção e crimes económicos envolvendo políticos e milionários de todo o mundo.

A Mossack Fonseca é especializada em criar empresas offshore, muitas das vezes para ajudar os seus clientes a fugir aos impostos e a esconder dinheiro e património em paraísos fiscais. A sociedade de advogados continua a defender que não cometeu qualquer crime.