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Holandeses dizem “não” à integração da Ucrânia em referendo

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O leste da Ucrânia está em guerra civil desde o final de 2013

ALEKSEY FILIPPOV/AFP/Getty Images

Consulta não-vinculativa foi apresentada no país como precursora do referendo à saída do Reino Unido da UE, que será votada pelos britânicos em junho. A confirmar-se mais de 30% de participação eleitoral, o governo holandês deverá anular ratificação do acordo de comércio livre com a ex-nação soviética

A União Europeia não está a lidar apenas com a rebelia dos britânicos, que se preparam para decidir se querem continuar a integrar o bloco dos 28 num referendo convocado para 23 de junho. Na quarta-feira, os holandeses foram às urnas decidir se a UE deve ou não assinar uma parceria comercial com a Ucrânia, tida como o primeiro passo para a adesão da ex-nação soviética ao bloco europeu.

Com 99,8% dos votos contabilizados, o "não" ganhou, com apenas 38% dos holandeses que foram às urnas a dar o seu aval a esse acordo. Mas resta ainda saber se houve mais do que 30% de participação no referendo não-vinculativo. De acordo com uma lei aprovada em 2015 pelo parlamento holandês, consultas desta natureza só têm impacto político se mais de 30% da população participar. Para já, as autoridades dizem que houve 32% de participação, acima do limite mínimo necessário mas dentro da margem de erro.

O referendo holandês sobre a aproximação à Ucrânia foi apresentado no país como precursor da votação vinculativa que os britânicos vão levar a cabo dentro de dois meses à chamada Brexit. De acordo com a lei de 2015, e a confirmar-se a vitória do "não" na consulta de quarta-feira, o governo de Mark Rutte deverá anular a ratificação do acordo com a Ucrânia.

Esta parceria comercial do bloco com o país esteve na génese da atual guerra civil ucraniana. Em novembro de 2013, o então Presidente, Viktor Iaunukovitch, recusou-se a assinar o acordo com a UE em prol de uma aproximação à Rússia. Os protestos massivos em Kiev contra essa decisão puseram a descoberto as fissuras entre o oeste do país, pró-europeu, e o leste, pró-russo, estando em marcha desde então no lado russo uma guerra esquecida que, até setembro passado, já tinha provocado mais de 8 mil mortos e 16 mil feridos.

Jornalistas no terreno e analistas dizem que o referendo não-vinculativo é, acima de tudo, um dos mais fortes protestos internos contra a expansão planeada da UE e o que muitos consideram ser os processos de tomada de decisões "antidemocráticos" pelo executivo do bloco dos 28. Antes da votação de ontem, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tinha avisado que uma vitória do 'não', a par da potencial saída do Reino Unido da UE, poderão potenciar uma crise de enormes proporções no projeto europeu.