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Governo do Panamá cria “painel de especialistas” para melhorar transparência

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RODRIGO ARANGUA/ Getty Images

O Presidente do Panamá anunciou que painel será composto por especialistas do país e internacionais, para estreitar cooperação com outros países — dias depois de o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) ter começado a divulgar documentos da sociedade de advogados Mossack Fonseca, com sede no paraíso fiscal, revelando uma abrangente rede de corrupção, lavagem de dinheiro e fuga aos impostos por milionários e empresas de todo o mundo

O Panamá vai criar um painel internacional de especialistas para melhorar a transparência na sua indústria financeira offshore. O anúncio foi feito pelo Presidente do país num discurso transmitido em direto na televisão.

A promessa surge quatro dias depois de o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), de que o Expresso é parceiro, ter começado a divulgar parte dos 11,5 milhões de ficheiros internos da Mossack Fonseca, uma sociedade de advogados panamiana que ajuda empresas e indivíduos a instalar o seu dinheiro e património em paraísos fiscais offshore — em algumas casos para fugirem aos impostos, para lavagem de dinheiro e outros crimes de corrupção.

"O governo panamiano, através do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros, vai criar uma comissão independente de especialistas domésticos e internacionais", anunciou Juan Carlos Varela à população e ao mundo. O painel, explicou ainda, irá examinar as práticas laborais e propor medidas partilhadas para reforçar a transparência dos sistemas legal e financeiro panamianos.

O chamado Panama Papers, 2,6 terabytes de informação enviados ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" por um anónimo, está a causar ondas em todo o mundo. Na Islândia, o primeiro-ministro viu-se forçado a afastar-se do cargo quando o seu nome surgiu na lista de personalidades políticas de todo o mundo que já foram citadas. (Apesar disso, Sigmundur Davíd Gunnlaugsson diz que não se demitiu e que foi apenas temporariamente substituído.)

No Reino Unido, David Cameron continua a escusar-se a comentar as ligações do seu pai à Mossack Fonseca, comprovadas pelos documentos já divulgados, da mesma forma que, na Rússia, Vladimir Putin está a evitar reagir às denúncias que ligam um seu conselheiro próximo ao desvio de 2 mil milhões de dólares do país para evitar impostos.