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Primeiro-ministro islandês diz que afinal não se demite

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STR / EPA

Num comunicado enviado às redações estrangeiras, o líder do Partido Progressista desmente os relatos iniciais de se teria demitido. Sigmundur Davíd Gunnlaugsson diz agora que não se demitiu e que irá simplesmente ser "temporariamente substituído" pelo vice-líder do seu partido. Medida pode provocar novos protestos em Reiquejavique

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Uma demissão que afinal é substituição. O primeiro-ministro da Islândia, acossado pela possibilidade de receber uma moção de censura no Parlamento devido ao seu envolvimento nos Panama Papers, reuniu-se na passada terça-feira com o Presidente do país.

Os relatos à saída da reunião davam conta de que Sigmundur Gunnlaugsson tinha pedido ao chefe de Estado que dissolvesse o Althing (Parlamento islandês), na sequência de uma sua declaração de que não se manteria no Governo se os seus parceiros de coligação não o apoiassem.

Menos de 24 horas depois, o cenário parece outro. Num comunicado enviado esta quarta-feira a várias redações estrangeiras, o primeiro-ministro esclarece que não se demitiu e que o Governo não cairá. Será, sim, substituído temporariamente.

Sigurður Ingi Jóhannsson, ministro das Pescas e da Agricultura e vice-líder do Partido Progressista liderado por Gunnlaugsson, irá "ocupar o lugar de primeiro-ministro por um período de tempo indeterminado. O primeiro-ministro não se demitiu e irá continuar como líder do Partido Progressista", elucida o comunicado.

A confusão surge depois de terem sido conhecidos na noite deste domingo os ficheiros da empresa Mossack Fonseca, conhecidos como Panama Papers. Neles pode ler-se que o PM islandês esteve envolvido numa empresa offshore — atualmente pertencente à sua mulher — que poderá ter sido beneficiada nas negociações do Governo com os credores dos três bancos islandeses que faliram após a crise de 2008.

As notícias provocaram indignação generalizada entre os islandeses, que saíram à rua na segunda-feira num dos protestos mais participados da história do país, pedindo a demissão de Gunnlaugsson.

A informação de que afinal o líder dos progressistas não se demitiu do cargo pode não ser bem recebida pela população. Na manhã desta quarta-feira, o historiador Guðni Jóhannsson declarou à rádio RÙV que considera a situação "absurda". "Não se rejeita um mandato como primeiro-ministro e depois se diz que afinal se vai voltar ao cargo mais tarde, numa data indeterminada."

Ainda esta terça-feira, um dos participantes nos protestos do início da semana garantia ao Expresso que uma solução deste tipo não seria provavelmente aceite: "Penso que as pessoas não irão tolerar se se limitarem a substituir Sigmundur Gunnlaugsson", declarou Andri Sigurðsson, um webdesigner de Reiquejavique.

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