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Líder da Transparência Internacional no Chile demite-se por causa dos Panama Papers

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Gonzalo Delaveau surge citado nos documentos da sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca por ligações a cinco empresas domiciliadas nas Bahamas. Diretor-geral da organização de combate à corrupção diz-se "profundamente perturbado" pelas alegações que implicam Gonzalo Delaveau

Os Panama Papers, a investigação a fuga de impostos e contas offshore por políticos e milionários de todo o mundo conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) e seus parceiros, incluindo o Expresso, provocaram mais uma baixa. "Gonzalo Delaveau apresentou a sua demissão como presidente da Transparency Chile, que foi aceite pelo conselho de administração", anunciou esta quarta-feira a Transparência Internacional (TI) no Twitter.

José Ugaz, o diretor-geral da organização sem fins lucrativos de combate à corrupção, com sede em Berlim, disse estar profundamente perturbado pelas revelações de que Delaveau, advogado, está ligado a cinco empresas com sede nas Bahamas. O seu nome surge em parte dos 11,5 milhões de documentos da sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca, especializada em ajudar clientes a criar contas e empresas em paraísos fiscais.

Delaveau não é, para já, acusado de quaisquer crimes, mas para Ugaz, a filiação à Transparência Internacional é "incompatível" com a detenção de contas e empresas offshore. Um dos principais objetivos da organização não-governamental é, aliás, listar todos os proprietários de empresas-fachada em paraísos fiscais para tornar mais difícil a ocultação de riquezas ilícitas, fuga aos impostos e outros crimes de corrupção.

A demissão do chefe da TI no Chile é apenas uma da série de consequências que os Panama Papers já provocaram desde que o CIJI começou a divulgar, no domingo passado, os conteúdos dos ficheiros que tem em sua posse — naquela que é já considerada a maior fuga de informação da história.

Dessas destaca-se a demissão do primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, na terça-feira, após protestos massivos no país perante o facto de também aparecer ligado a uma empresa offshore registada no nome da sua mulher. Gunnlaugsson garante que ambos pagaram sempre impostos sobre a totalidade dos seus bens.