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Há mais de 20 anos que os mais pobres do Bangladesh bebem água contaminada. “É um veneno lento”

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Getty

Cerca de 20 milhões de pobres do Bangladesh continuam a beber a água contaminada duas décadas depois do problema ter sido detetado. Calcula-se que 43 mil morram anualmente por causa disso

O Bangladesh falhou em tomar as medidas básicas para resolver o problema e cerca de 20 milhões de pessoas de zonas pobres continuam a beber água contaminada com arsénico, apesar de já terem passado 20 anos sobre a sua descoberta, denuncia um relatório da Humans Rights Watch (HRW) divulgado esta quarta-feira.

O problema já foi qualificado pela Organização Mundial de Saúde como “o maior envenenamento generalizado de população da História”.

Cerca de 43 mil pessoas continuam a morrer atualmente, sobretudo em zonas rurais pobres, segundo indica o relatório, que atribui a responsabilidade pela permanência da gritante situação à má governação do país

“O Bangladesh não está a dar os passos elementares e óbvios para retirar o arsénico da água consumida por milhões nas suas áreas rurais pobres”, indicou Richard Pearshouse, investigador da HRW.

“Os motivos pelos quais esta enorme tragédia permanece tão generalizada devem-se à má governação”, acrescentou, em declarações prestadas à agência France Presse.

O problema remota a finais dos anos 1970, quando o Bangladesh criou milhões de poços de pouca profundidade para fornecer água limpa aos aldeões, não se dando conta de que os solos se encontravam fortemente contaminado com arsénico, devido a processos naturais.

Responsáveis governamentais indicaram que nos últimos 12 anos criaram cerca de 210 mil poços profundos e que estão a efetuar testes à água extraída de milhões de outros poços mais superficiais a fim de resolver a crise.

A HRW coloca contudo em causa o plano governamental, indicando que os políticos têm criado os novos poços nas áreas onde residem os seus apoiantes e não nas áreas pobres afetadas.

“A situação é quase tão má como há 15 anos”, disse Pearshouse. O responsáveis governamentais ainda não reagiram à divulgação do relatório.

A exposição contínua ao arsénico é associada a cancros do fígado, rins, bexiga e pele, assim como a problemas cardíacos.

A água contaminada com arsénico também pode causar abortos, assim como nascimento de bebés com pouco peso e fraco desenvolvimento cognitivo das crianças.

“É um veneno lento. Você será afetado por uma série de doenças que o colocam em risco de vida antes que se dê conta”, explicou Tariqul Islam, da Universidade de Chicago.