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França vai pedir à OCDE que reintegre o Panamá na lista de paraísos fiscais

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Luis Miguel Hincapié, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Panamá (esquerda), acusou a OCDE de discriminação numa conferência de imprensa sobre os Panama Papers na terça-feira, ao lado do ministro da Presidência, Álvaro Alemán

Promessa do ministro francês das Finanças surge um dia depois de o governo de François Hollande ter voltado a colocar a nação da América Central na sua lista negra

A França vai pedir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que siga o seu exemplo e reclassifique o Panamá como paraíso fiscal, na sequência da investigação conhecida como Panama Papers levada a cabo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), da qual o Expresso é parceiro.

Questionado pela rádio francesa Europe 1 sobre o assunto, o ministro francês das Finanças, Michel Sapin, afirmou esta quarta-feira que deseja "que a OCDE (...) se reúna para a mesma decisão [de França em relação ao Panamá] ser tomada por todos os países envolvidos". Criada em 1961, a organização é constituída por 34 estados-membros.

Sapin anunciou ontem que a França vai voltar a incluir o Panamá na sua lista negra de países que não cooperam no combate à evasão fiscal, por causa dos “Panama Papers”, 11,5 milhões de documentos da sociedade de advogadas panamiana Mossack Fonseca que foram entregues por um anónimo ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung".

Na segunda-feira, o atual líder da OCDE, Ángel Gurría, declarou publicamente que o Panamá “é o último grande reduto que continua a permitir a ocultação de fundos em paraísos fiscais”. Reagindo a essa acusação, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros panamiano, Luis Miguel Hincapié, disse na terça-feira que "a estratégia [da OCDE] de ignorar outras jurisdições e se concentrar apenas no Panamá é injusta e discriminatória”.

A acusação foi feita numa carta enviada por Hincapié à organização transacional, a que a AFP teve acesso. Numa conferência de imprensa na terça, citada pela agência EFE, Hincapié reforçou: "Lamentamos a irresponsável declaração do secretário-geral Ángel Gurría sobre o Panamá, quando há uns meses nós passámos à segunda fase e obtivemos o reconhecimento de todos os membros do Foro Global.”