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Revelada ligação do Presidente argentino a sociedade offshore

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Presidente da Argentina, Mauricio Macri

DAVID FERNANDEZ/EPA

Mais uma revelação dos “Panama Papers”: Macri esteve ligado a uma sociedade criada pelo pai e nunca declarou esse envolvimento

A Argentina foi sacudida pelas primeiras revelações dos “Panama Papers”. Entre os envolvidos em sociedades e contas em paraísos fiscais, aparecem empresários ligados ao poder e um ex-secretário privado do ex-Presidente Néstor Kirchner. Contudo, o maior impacto foi mesmo o de uma sociedade offshore, registada nas ilhas Bahamas, na qual aparece o nome de Mauricio Macri, atual presidente da Argentina, o único presidente da América Latina diretamente envolvido. A defesa de Macri contrapõe que a sociedade nunca movimentou dinheiro, não teve conta bancária e que foi declarada ao fisco.

Mauricio Macri explica-se na TV

Reagindo às acusações na TV, o Presidente argentino, Mauricio Macri garantiu que a sociedade offshore “é uma operação legal”. Explicou que a firma, chamada Fleg Trading Ltd foi aberta em 1998 e encerrada 10 anos depois, em 2008. Contou que fora criada pelo seu pai, o empresário Franco Macri, com o objetivo de investir no Brasil, coisa que acabou por nunca se concretizar, não tendo havido na prática nenhum investimento.

Ainda assim, o pai Macri colocou dois filhos como diretores da firma, em cargos a que chamou “circunstanciais”, sendo o filho Mauricio, atual Presidente, nomeado vice-presidente da Fleg Trading.

Mauricio Macri acrescentou nas referidas declarações televisivas que a sociedade nunca chegou a ter conta bancária, nunca movimentou nenhum montante e, por consequência, nunca gerou lucro. Por isso, concluiu Macri, não tendo havido dividendos, considera não estar legalmente obrigado a declarar a existência da sociedade. Demarcou-se daqueles que “usam paraísos fiscais para esconder dinheiro obtido de forma indevida”, uma vez que a sociedade em questão fora criada para investir.

Pai de Macri publica comunicado

Num comunicado distribuído aos media, o pai do Presidente, o empresário Franco Macri que fez fortuna principalmente durante os anos 80 e 90, explicou que o filho foi “ocasionalmente” nomeado diretor da firma, ainda que “sem participação acionista” e que tudo foi “devidamente declarado às autoridades fiscais da Argentina”. Reiterou a tese de que a firma visava negócios no Brasil que acabariam por nunca se concretizar, e que após cinco anos de inatividade optou por dissolvê-la.

Por sua vez as autoridades fiscais argentinas confirmaram que “se uma pessoa física residente na Argentina não for acionista de uma sociedade no estrangeiro e, como diretor, não tiver rendimentos, não está obrigada a apresentar a respectiva declaração fiscal”.

A oposição quer saber mais

A oposição mais moderada do peronismo, liderada pelo deputado Sergio Massa, pediu que o presidente Macri convoque uma conferência de imprensa para explicar melhor o seu vínculo à sociedade offshore.

As críticas mais duras vieram da imprensa e dos analistas políticos. Em particular, não deixaram de relembrar as declarações do Presidente segundo as quais a sua chegada ao poder corresponderia a uma nova era de transparência na atividade governativa.

Embora formalmente Macri não estivesse obrigado a declarar a sociedade ao fisco, especialistas em ciência política disseram que do ponto de vista ético Macri deveria ter feito a declaração porque, embora a firma tenha desaparecido em 2008, muito antes de Macri chegar à Presidência, este fora eleito deputado em 2005 e governador do Distrito Federal de Buenos Aires em 2007.

Ao serem tornadas públicas as declarações fiscais do pai, dono da sociedade, alguns analistas políticos questionaram se, havendo, por absurdo, a intenção de ocultar movimentos de capitais, faria sentido colocar como gestores da sociedade offshore membros próximos da família.

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