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Aperta-se o cerco ao “Rei do Chocolate”

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Tatiana Zenkovich/EPA

Conhecido por esta alcunha pelo seu império de chocolates Roshen, Petro Poroshenko está para já a ser alvo de críticas de deputados da oposição, que se propuseram a iniciar um processo para a sua destituição. O Presidente que prometeu combater a corrupção da Ucrânia garante que a offshore criada para a Roshen não desrespeita o direito ucraniano e internacional

Quando o Presidente ucraniano Petro Poroshenko registou a sua empresa de chocolates Roshen nas Ilhas Virgens Britânicas em agosto de 2014, intensificavam-se os confrontos entre as forças ucranianas e separatistas no Leste da Ucrânia. O escândalo rebentou este domingo com a divulgação dos “Panama Papers” pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, do qual o Expresso é parceiro.

Rapidamente se levantaram questões éticas e políticas, não só pelo timing de criação da offshore, mas também pelo facto de, quando foi eleito a 25 de maio de 2014, Poroshenko ter como uma das suas bandeiras o combate à corrupção e o comprometimento com o Estado de direito – uma exigência dos manifestantes do EuroMaiden, mas também do Ocidente, em especial da União Europeia (UE), com a qual a Ucrânia assinou um acordo de associação.

O escândalo pode ter consequências nefastas para a popularidade do Presidente. O líder do Partido Radical, Oleh Lyashko, que nas últimas semanas estaria a considerar formar uma coligação para apoiar o candidato de Poroshenko a primeiro-ministro, após a demissão de Arseni Iatseniouk, propôs esta segunda-feira o início de um processo de impugnação do Presidente do país. “Iniciamos o procedimento para a destituição do Presidente Poroshenko. Exigimos a criação de uma comissão parlamentar para investigar a existência de três offshores e contas secretas do Presidente”, escreveu Lyashko na sua conta de Facebook.

Vários deputados ucranianos defendem que o Parlamento deve investigar as alegações de que Poroshenko terá usado empresas offshore para fugir aos impostos, especialmente através do seu império de chocolates Roshen – e que já lhe valeu o título, nos media, de “Rei do Chocolate”. Em 2014, ainda antes deste escândalo, comprometeu-se a vender o negócio ao ser eleito Presidente, o que ainda não conseguiu fazer, justificando-o com o facto da crise ucraniana estar a afastar os potenciais compradores.

Poroshenko, no entanto, garante que não fez nada que desrespeitasse o direito privado internacional e a lei ucraniana. “Desde que me tornei Presidente, não tenho participado na gestão dos meus ativos, delegando essa responsabilidade para empresas de consultadoria e direito.”

“Penso que [os “Panama Papers”] terão um impacto em termos de erosão da confiança em Poroshenko”, declarou à Reuters Serhiy Leshchenko, um deputado da facção do Presidente. Erosão da confiança interna, mas também externamente. a única solução à vista para a crise na Ucrânia está assente nos acordos de Minsk, que pressupõem a realização de reformas no país, e os Estados Unidos e a UE já vieram criticar a lentidão neste processo. O envolvimento de Poroshenko nos “Panama Papers” não vem ajudar a pintar este quadro.