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Panama Papers. Pai de David Cameron ligado à Mossack Fonseca

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O pai do atual primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, é um dos nomes envolvidos naquela que é a maior fuga de informação da história, onde são denunciados esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e fuga aos impostos por uma série de políticos e milionários de todo o mundo

Alex Wong / Getty Images

Ian Cameron é um de pelo menos 12 milionários e políticos britânicos, na sua maioria do Partido Conservador, que constam dos 11,5 milhões de documentos no centro da maior fuga de informação da história, relacionada com esquemas de corrupção montados com a ajuda da firma de advogados do Panamá

Pelo menos seis membros da Câmara dos Comuns, três ex-deputados do Partido Conservador britânico e "dezenas" de dadores desse partido estão referidos nos Panama Papers, o conjunto de 11,5 milhões de documentos da firma de advogados panamiana Mossack Fonseca, que no domingo começaram a ser divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI) em parceria com dezenas de meios de comunicação de todo o mundo, incluindo o Expresso.

Naquela que é a maior fuga de informação da história, onde são denunciados esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e fuga aos impostos por uma série de políticos e milionários de todo o mundo, surgem no Reino Unido nomes como o de Lord Ashcroft, milionário com dupla nacionalidade, britânica e do Belize, que integra a bancada conservadora da Câmara dos Comuns desde 2000, da baronesa Pamela Sharples, outra deputada conservadora, e de Ian Cameron, pai do atual primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Há quatro anos já tinham sido reveladas ligações de Cameron pai, um corretor de bolsa multimilionário, à Mossack Fonseca, a firma de advogados panamiana pouco conhecida da população comum mas famosa entre milionários de todo o mundo pela sua capacidade de criar sociedades 'offshore' especializadas em ajudar os clientes a fugirem aos impostos e a esconderem dinheiro e património das autoridades tributárias e aduaneiras dos países onde vivem.

Ian Cameron morreu em setembro de 2010. Da fortuna acumulada de 2,74 milhões de libras (cerca de 3,42 milhões de euros) que deixou para trás, David Cameron recebeu 300 mil libras (quase 375 mil euros). Nada sugere, para já, que a família do primeiro-ministro tenha fugido aos impostos sobre esse dinheiro.

De acordo com a análise dos Panama Papers pelo "The Guardian", há pelo menos 12 líderes britânicos citados entre os 143 políticos, suas famílias e sócios próximos de todo o mundo que são suspeitos de criarem paraísos fiscais com a ajuda da Mossack Fonseca.