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Oposição apresenta moção de censura ao primeiro-ministro islandês

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HALLDOR KOLBEINS/AFP/Getty Images

Além da investida dos partidos da oposição, cerca de dez mil pessoas juntaram-se ao final da tarde à entrada do Parlamento na capital da Islândia para exigir a demissão de Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, depois de esta semana ter sido envolvido, juntamente com a sua mulher, no escândalo “Panama Papers”

O cerco ao primeiro-ministro da Islândia está a aumentar. Após a investigação jornalística “Panama Papers” (da qual o Expresso é parceiro), divulgada este domingo sobre a rede de criminosos, chefes de Estado e celebridades que usam paraísos fiscais para esconder dinheiro e património, cerca de dez mil manifestantes juntaram-se ao entardecer à entrada do Parlamento em Reiquiavique para exigir a demissão de Sigmundur Davíð Gunnlaugsson.

Também os partidos da oposição formalizaram esta segunda-feira uma moção de censura ao primeiro-ministro islandês, após este e a esposa, Anna Sigurlaug Pálsdóttir, surgirem nos “Documentos do Panamá” por terem uma empresa criada em 2007 num paraíso fiscal (as ilhas Virgens Britânicas) pela Mossack Fonseca, a empresa de advogados do Panamá que é uma das maiores fundadoras mundiais de empresas offshores. A investigação revela ainda que a sociedade do casal teve títulos que valeram milhões de euros em três grandes bancos da Islândia, que faliram no contexto crise financeira de 2008.

Gunnlaugsson - que deteve 50% dessa sociedade até ao final de 2009 (vendendo depois essa participação à mulher) - omitiu esse facto na sua declaração de património, ao ser eleito deputado em abril desse ano como líder do Partido Progressista.

“Ele perdeu toda a credibilidade”, declarou ao “The Guardian” um dos manifestantes. “Estas pessoas dizem que aprenderam com as lições da crise de 2008, mas continuam a esconder o nosso dinheiro”, acrescentou ainda outro, no meio da multidão que cantava, gritava e assobiava contra o primeiro-ministro. Para além destas, 24 mil pessoas assinaram até ao início da tarde de esta segunda-feira uma petição online que pede a sua demissão, segundo noticia a agência Lusa.

O primeiro-ministro, no entanto, garante não ter infringido a lei, embora se tenha recusado falar sobre a sociedade numa entrevista em meados de março à televisão sueca SVT. “Não considerei demitir-me e não irei demitir-me devido a isso”, reforçou esta segunda-feira à cadeia televisiva Stöd 2.