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Mossack Fonseca diz estar a ser vítima de “campanha internacional contra a privacidade”

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RODRIGO ARANGUA

Firma de advogados do Panamá no centro da maior fuga de informação da história, referente a esquemas de corrupção e fuga aos impostos por políticos e milionários de todo o mundo, diz que documentos revelados foram roubados num ciberataque “limitado”

Ramon Fonseca, o diretor da firma de advogados do Panamá que está no centro de um enorme escândalo de corrupção e fuga aos impostos por políticos e milionários de todo o mundo, diz ter sido vítima de "uma campanha internacional contra a privacidade".

Em entrevista telefónica com a Reuters, horas depois de o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), de que o Expresso faz parte, ter começado a divulgar os 11,5 milhões de documentos da Mossack Fonseca, o diretor da firma especializada em criar empresas offshore voltou a negar ter cometido qualquer crime, dizendo que os seus sistemas foram alvo de um ciberataque "limitado".

Na conversa com a agência, o cofundador da Mossack Fonseca, que até março integrava o governo do Panamá, garante que a "vasta maioria" das mais de 240 mil empresas que ajudou a criar em paraísos fiscais foram usadas "com objetivos legítimos".

"Dedicamo-nos a criar estruturas legais que vendemos a intermediários, como bancos, advogados, contabilistas e fundos, que têm os seus próprios clientes finais que nós desconhecemos", defende Fonseca. De acordo com o advogado, os clientes da Mossack Fonseca já foram notificados "deste problema".

"Acreditamos que existe uma campanha internacional contra a privacidade", acusa ainda. "A privacidade é um direito humano sagrado, mas existem pessoas neste mundo que não entendem isso. Nós acreditamos definitivamente na privacidade e vamos continuar a trabalhar para que a privacidade legal funcione."

Num comuniado distinto enviado esta segunda-feira ao "The Guardian", a firma panamiana declara: "Parece que [o jornal britânico] teve acesso não-autorizado a documentos e informações que são nossa propriedade e que foram tirados à nossa firma e apresentados e interpretados fora de contexto."

Este domingo, à luz das primeiras revelações pela rede de dezenas de meios de comunicação internacionais ligados ao CIJI, onde se inclui o Expresso, o governo do Panamá disse em comunicado que vai cooperar com qualquer procedimento judicial que advenha destas denúncias.