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Luther King foi assassinado e a “Time” fez capa com o Presidente Johnson

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No dia em que se completam 48 anos sobre o assassinío do ativista dos direitos afro-americanos, a newsmagazine recorda aquela que poderá ter sido uma das suas piores decisões editoriais

Getty

A 4 de abril de 1968, Martin Luther King era assassinado, acontecimento que representava uma autêntica machadada na hipótese de evolução pacífica da luta pelos direitos dos afro-americanos. Contudo, dias depois, a 12 de abril, a newsmagazine semanal “Time” saía para as bancas com o Presidente Lyndon B. Johnson na capa.

No topo da ilustração com a cara do Presidente norte-americano surgiam dois destaques: “A busca pela paz na Ásia”; e “O espectro da violência em casa”. Era com esta alusão que o assunto surgia indiretamente referido na primeira página.

Johnson anunciara a 31 de março que não se recandidataria e no interior da “Time” o seu editor de então, James R.Shepley, procurava fundamentar a sua decisão pelos tremendos desafios que o Presidente teria até ao final do mandato, com a tensão racial interna a juntar-se ao problema da guerra do Vietname: “Foi disparado em Memphis o tiro que matou Martin Luther King. O seu martírio, como o Presidente sugeriu, não deve ser apenas causa de lamentação, deve sobretudo levar a ações pela expiação da sua morte. Deste modo, nos restantes meses que tem como Presidente, Lyndon Johnson encara o desafio e a oportunidade de resolver uma crise racial que ensombrou a sua administração e ao mesmo curar a agonia do Vietname”.

“Poucos Presidentes na história dos Estados Unidos terão sido alguma vez confrontados com semelhante confluência de eventos – ou terão tido tal poder para os influenciar. É por isso que Lyndon Johnson está na capa da ‘Time’ desta semana”, acrescentava.

Aquela primeira semana de abril seria recordada por muito tempo, começava por referir o editor... mas não certamente pela ação de Johnson.

No dia em que se completam 48 anos sobre o assassínio de King, a “Time recorda aquela que poderá ter sido uma das suas piores decisões editoriais.