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Panama Papers. Primeiro-ministro da Islândia deverá enfrentar pedidos de eleições antecipadas

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JONATHAN NACKSTRAND/Getty

Sigmundur Davíð Gunnlaugsson é um dos visados na investigação jornalística divulgada este domingo, que revela a existência de empresas offshore controladas altos dirigentes políticos

Helena Bento

Jornalista

Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, primeiro-ministro da Islândia, deverá ter de enfrentar pedidos de eleições antecipadas no Parlamento já na próxima semana, refere o britânico “Guardian”. O primeiro-ministro é um dos visados na investigação jornalística divulgada este domingo, que revela a existências de empresas offshore controladas por figuras de renome.

Os milhões de documentos divulgados, resultado de uma investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês), pelo jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” e por mais de uma centena de outros órgãos de comunicação social, incluindo o Expresso, mostram como o primeiro-ministro Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, e a sua mulher (Anna Sigurlaug Pálsdóttir) detêm secretamente uma empresa offshore - chamada Wintris Inc., com sede em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas - que possuía milhões de dólares em obrigações do tesouro islandês durante a crise financeira islandesa.

Já antes, numa entrevista à televisão sueca SVT, Gunnlaugsson negara ter património escondido; quando confrontado pelo jornalista com o nome da empresa offshore ligada a ele, o primeiro-ministro disse estar a sentir-se “estranho” com as perguntas que lhe estavam a ser dirigidas, que pareciam conter uma acusação. Pouco depois, visivelmente incomodado com o rumo que a conversa tomara, pôs fim à entrevista.

Esta é apenas uma das primeiras reações à publicação dos ficheiros “Panama Papers”. Muitas outras se seguirão, nos próximos dias.

Sabe-se também, por via do britânico “The Mirror”, que Lionel Messi vai processar por difamação o jornal espanhol que participou na investigação, o “El Confidencial”. O futebolista também aparece nos documentos. Os registos mostram que Messi e o seu pai eram donos de uma empresa do Panamá - Mega Star Enterprises Inc. -, o que vem acrescentar um novo nome à lista de empresas de fachada conhecidas por estarem ligadas a Messi, cujos esquemas de offshore são atualmente alvo de um inquérito sobre evasão fiscal em Espanha.