Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Mossack Fonseca garante que sempre cumpriu os protocolos internacionais

  • 333

Fuga de informação massiva revela enriquecimento ilícito em paraísos fiscais de chefes de Estado, banqueiros, criminosos e celebridades

Helena Bento

Jornalista

Em comunicado emitido este domingo após ter sido iniciada a publicação da investigação jornalística "Panama Papers", que representa uma das maiores fugas de informação de sempre, a sociedade de advogados Mossack Fonseca garante que sempre cumpriu os protocolos internacionais, de modo “a assegurar que as empresas que gere não estão a ser usadas para evasão fiscal, lavagem de dinheiro, terrrorismo financeiro ou outros propósitos ilícitos”.

Recusando-se a “providenciar respostas a questões que dizem respeito a assuntos específicos”, uma vez que ao fazê-lo estaria “a violar as suas políticas de confidencialidade e obrigações legais para com os clientes”, a firma de advogados garante, porém, “que partes citadas [na investigação] em muitas das circunstâncias não são nem nunca foram clientes da Mossack Fonseca”.

A empresa afirma que não permitiu e desconhece o uso de empresas suas por pessoas “com alguma ligação à Coreia do Norte, Zimbabwe, Síria e outros países”, mencionadas na investigação jornalística. Refere ainda que não gere as empresas dos clientes nem possui a custódia do seu dinheiro, e que já esteve ligada à criação de cerca de 300 mil empresas. “Este facto mostra que a vasta maioria dos nossos clientes usa as empresas criadas para usos legítimos”.

Considerada “uma das maiores fugas de informação de sempre”, a investigação jornalística “Panama Papers”, partilhada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, revela um esquema de enriquecimento ilícito que envolve chefes de Estado, banqueiros, criminosos e celebridades internacionais através de paraísos fiscais para esconder dinheiro e património.

A informação foi obtida através de documentos provenientes da base de dados da sociedade de advogados Mossack Fonseca, que tem sede no Panamá e filiais em Hong Kong, Miami, Zurique e em mais de 35 outros pontos do globo. No total, são cerca de 11,5 milhões de documentos, que representa uma quantidade de informação superior à que o WikiLeaks revelou em 2010.

No comunicado, a Mossack Fonseca salienta ainda que os seus serviços “estão regulamentados em múltiplos níveis, muitas vezes através da sobreposição de agências”, e que o seu registo de cumprimento é “forte. “Somos membros responsáveis da comunidade financeira global”, refere a firma, sublinhando que em 40 anos de seviço nunca foi acusada de ligação a atividades criminosas.