Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Terrorismo. Estudo revela que 30% dos combatentes europeus regressaram a casa

  • 333

Carl Court/Getty Images

Sobre Portugal, o relatório estima a existência de “cerca de uma dúzia de nacionais ou residentes” que partiram para a Síria e Iraque desde janeiro de 2011. Cinco deles morreram. Ameaça de terrorismo no país “é menor do que noutros países europeus”

Helena Bento

Jornalista

Um estudo divulgado este sábado revela que quase 30% dos cidadãos europeus que se juntaram às fileiras do autoproclamado Estado Islâmico na Síria e Iraque regressaram entretanto aos seus países de origem.

Segundo o documento, elaborado pelo Centro Internacional de Contraterrorismo, em Haia, mais de quatro mil europeus partiram para a Síria, provenientes maioritariamente da França, Alemanha e Reino Unido, embora a Bélgica ocupe o primeiro lugar da lista em termos proporcionais. Destes quatro mil, 17% são mulheres, e entre 90 a 100% viviam em grandes áreas metropolitanas ou nos seus subúrbios antes de partirem.

O regresso destes combatentes aos seus países de origem coloca vários problemas às capitais europeias. É que alguns deles, como se sabe, acabam por se envolver, mais tarde, em ataques terroristas. Os atentados de Paris e Bruxelas são exemplos disso.

O estudo do Centro Internacional de Contraterrorismo sublinha, contudo, que “nem todos os combatentes estrangeiros são terroristas e nem todos os terroristas são combatentes estrangeiros”. Por isso, “nem todos os que regressam representam um perigo para as suas sociedades de origem”.

De acordo com os autores, é difícil entender as motivações desses que, ao fim de algum tempo na Síria e Iraque, combatendo ao lado dos terroristas do Estado Islâmico, decidem regressar, mas um estudo publicado em 2014 pela Comissão de Supervisão dos Serviços de Segurança holandeses (CTIVD), citado pela Al Jazira, refere razões como “estar desiludido, estar traumatizado, sentir-se traído, ter-se apercebido da dimensão das atrocidades e estar arrependido ou ter planos para recrutar outros” assim que voltar ao país de origem.

Sobre Portugal, o relatório estima a existência de “cerca de uma dúzia de nacionais ou residentes” que partiram para a Síria e Iraque desde janeiro de 2011. Cinco deles morreram - dois num ataque aéreo em Kobane, um detonou um colete de explosivos junto a um posto militar iraquiano, e outros dois - pai e filho - morreram em combate. Em Portugal a ameaça de terrorismo e dos “FF”, terminologia usada para descrever estes combatentes estrangeiros, oriundos da Europa, “é menor que noutros países”, refere o estudo.

A Dinamarca é o país que mais cidadãos viu regressar - cerca de 50% dos que partiram. O país tem, aliás, apostado em políticas de reabilitação de jiadistas. Em segundo e terceiro lugar surgem a Àustria e a Suécia, respetivamente.

A Bélgica, por seu lado, surge em último lugar nesta lista. Apenas 18% voltaram a casa.

  • Células do Daesh estão a recrutar em Lisboa. Autoridades atentas

    Candidatos são aliciados por militantes da organização terrorista na capital e na zona centro. Autoridades estão atentas ao fenómeno e já detectaram alguns casos nos últimos meses. SIS diz que ameaça do Daesh é “dirigida à Europa no seu todo”. Ministro da Defesa: “Não podemos deixar-nos invadir pelo medo”