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Um quinto da população adulta mundial será obesa em 2025

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Matt Cardy / Getty Images

Estudo médico publicado na revista especializada "Lancet" prevê ainda que, dentro de nove anos, Reino Unido terá maior taxa de obesos per capita de toda a Europa

Os resultados de um estudo publicado esta sexta-feira na revista especializada "Lancet" prevêem que existem "zero possibilidades" de o mundo conseguir cumprir os objetivos de reduzir as taxas de obesidade entre os adultos até 2025 definidos pela agência de saúde das Nações Unidas. De acordo com o estudo, dentro de nove anos um em cada cinco adultos de todo o mundo será obeso, um número que aumenta para um em cada três entre os britânicos. Em 2025, prevêem os investigadores, o Reino Unido terá a mais alta taxa de obesidade do continente europeu.

"Ao longo dos últimos 40 anos, deixámos de viver num mundo em que a prevalência de pessoas com peso a menos correspondia a mais do dobro de obesos para passarmos a viver num mundo em que há mais pessoas obesas do que gente abaixo do peso recomendado", aponta o autor-chefe do estudo, o professor Majid Ezzati, da escola de saúde pública do Imperial College London, citado pelo "The Guardian". "Se a atual tendência continuar, não só o mundo não irá cumprir o objetivo de travar até 2025 o aumento de prevalência da obesidade ao nível registado em 2010, como mais e mais mulheres serão severamente obesas" até esse mesmo ano, acrescenta Ezzati.

O estudo tem por base a comparação dos níveis de Índice de Massa Corporal (IMC), usado para calcular a obesidade, de quase 20 milhões de homens e mulheres adultos entre 1975 e 2014. Nele é sublinhado que, há dois anos, esta tendência de aumento de obesidade já estava a ser notada, com uma em cada oito pessoas a registarem peso a mais.

De acordo com Ezzati e a sua equipa, a obesidade crescente afetará particularmente o Reino Unido, prevendo-se que até 2025 o país registe 38% de homens e mulheres adultos obesos, a mais alta taxa da Europa. Quase um quinto dos adultos obesos do mundo, cerca de 118 milhões de pessoas, estão concentrados em seis países de língua inglesa — Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos. Os países com as mais baixas taxas médias de IMC são Timor-Leste, Etiópia e a Eritreia.

Reagindo aos resultados do estudo — e às manchetes de alguns media que referem, com base nele, que a obesidade se tornou um problema mundial maior do que a subnutrição — alguns especialistas pedem que não se negligencie o outro extremo do espetro de gordura corporal, dando atenção aos dois extremos.

"Um foco na obesidade à custa do reconhecimento de que continua a existir uma substancial percentagem de pessoas magras de mais no mundo ameaça retirar recursos [de combate] a doenças que afetam os mais pobres, canalizando-os para os mais ricos de países com baixos rendimentos", refere George Davey Smith, da unidade de epidemiologia da Univerisade de Bristol.

Neena Modi, que preside ao Royal College de Pediatria e Saúde Infantil no Reino Unido, diz que os resultados deste estudo devem ainda lembrar o governo de que há muito trabalho a fazer. "Este é um problema internacional e o mundo deve pensar em conjunto para alcançar progressos", defende a especialista. "O Reino Unido pode ser um líder mundial no combate à obesidade e a estratégia que o governo está a preparar para combater a obesidade infantil é uma boa oportunidade para se tornar esse líder. O anúncio recente de uma taxa sobre o açúcar é um bom princípio. Mas é necessário um conjunto de medidas adicionais", sublinha Modi. "É essencial que se investigue mais como reduzir os riscos de obesidade infantil que surgem ainda durante a gravidez ou nos primeiros anos de vida de uma criança. Quanto mais soubermos sobre as causas subjacentes, melhores respostas haverá para esta crise mundial."