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Internacional

Turquia está a obrigar sírios a voltarem para o país em guerra

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A fronteira turca continua fechada

Chris McGrath/Getty

Amnistia Internacional acusa o governo turco, com quem a União Europeia negociou a “devolução” de refugiados e migrantes, de graves violações da lei internacional ao obrigar nacionais da Síria a voltarem à guerra da qual fugiram

A Turquia já obrigou milhares de refugiados a regressarem à Síria, numa clara e grave violação da lei internacional, que não só dita que todos os países têm de garantir asilo e proteção a quem foge de guerras como os proíbe de obrigar estas pessoas a voltarem para os seus países enquanto a situação não melhora.

O caso foi denunciado pela Amnistia Internacional (AI) esta sexta-feira, num relatório em que acusa as autoridades turcas e o governo de Recep Tayyip Erdogan de ter obrigado 100 sírios a regressarem para o seu país só desde meados de janeiro deste ano. Nesse relatório, a organização não-governamental faz a ponte entre estas violações e o acordo "com graves falhas" que a União Europeia alcançou no mês passado com o aspirante a estado-membro.

Para tentar acabar com a rota dos Balcãs, por onde mais de um milhão de refugiados passaram desde janeiro de 2015 em busca de refúgio e paz na Europa, o bloco firmou um acordo com a Turquia para "devolver" a esse país todos os requerentes de asilo que entrem na Grécia de forma ilegal ou sem documentos.

A Turquia desmente estar a enviar refugiados para a Síria contra a sua vontade, defendendo que só volta para a guerra quem quer. O país é o que mais refugiados sírios alberga no seu território desde o início da guerra civil em 2011. O relatório da Amnistia surge a poucos dias de a Turquia começar a receber os primeiros refugiados e migrantes sob o novo e controverso acordo com a UE — que prevê o aumento de ajuda financeira ao país e a reabertura das negociações de adesão ao bloco.