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Internacional

Soldado francês da ONU suspeito de obrigar quatro crianças a terem sexo com cão

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Nações Unidas prometem investigar alegações de dezenas de abusos cometidos por capacetes azuis de dez missões de paz na República Centro-Africana. Só no ano passado houve 69 denúncias

A ONU prometeu esta quinta-feira analisar "o exato número e natureza" das alegações "extremamente perturbadoras" de abusos que terão sido cometidos contra crianças da República Centro-Africana (RCA) por soldados da organização.

No ano passado, houve 69 denúncias de abuso sexual de menores imputadas a membros de pelo menos dez missões de paz das Nações Unidas no país devastado por conflitos sectários e fome. Entre essas denúncias conta-se uma a dar conta de que um soldado terá forçado quatro meninas a terem sexo com um cão.

De acordo com a campanha Código Azul do grupo de defesa de direitos humanos Aids-free World, crimes de natureza sexual contra crianças da RCA estão a acontecer desde 2013, com os episódios mais recentes a serem registados esta semana. A ONU enviou para o país uma nova missão de paz com soldados de vários países em 2014, numa tentativa de restaurar a ordem após o Presidente ter sido deposto em 2013.

Segundo o grupo responsável pelas denúncias, o crime de bestialismo remonta a 2014 e envolve um comandante das forças francesas na República Centro-Africana. As quatro crianças terão recebido 5000 francos centro-africanos (cerca de €7,5) cada para não denunciarem o crime, aponta o Código Azul. Uma delas acabou por morrer de doença desconhecida.

As denúncias de abusos pendem sobre tropas de França, do Gabão, da RCA e da República Democrática do Congo. Em comunicado divulgado hoje, a ONU assumiu que as alegações envolvem não só funcionários da organização como soldados de forças externas. No documento é ainda referido que já há equipas no terreno a investigar os alegados abusos e a prestar apoio médico e psicológico às vítimas.

A ONU tem sido duramente criticada pela falta de respostas efetivas ao drama de abusos cometidos por soldados das suas forças de paz. Em agosto, o enviado da organização à RCA, Babacar Gaye, demitiu-se em reação a essas denúncias e, este mês, o Conselho de Segurança aprovou uma resolução a exigir a repatriação das unidades de manutenção de paz cujos soldados sejam alvo destas acusações.

Há alguns meses, um painel de investigadores independentes acusou a ONU de respostas "seriamente defeituosas" e de "falhanço institucional grosseiro" na gestão desta crise. No relatório, altos cargos das Nações Unidas são acusados de não agir face a alegações de abusos cometidos por soldados de França, da Guiné Equatorial e do Chade.