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Pela primeira vez na história da ONU, candidatos a secretário-geral vão ter de competir pelo cargo

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JASON SZENES/ EPA

Até agora a decisão era tomada à porta fechada pelas potências com assento permanente no Conselho de Segurança, mas este ano o modelo aproxima-se do de eleições nacionais. Candidatos ao cargo que Ban Ki-moon abandona no final do ano vão ter de apresentar os seus "programas" na assembleia-geral da ONU e participar em debates com os rivais

Os candidatos ao mais alto cargo diplomático do mundo, o de secretário-geral das Nações Unidas, entre os quais se conta este ano o português António Guterres, vão ter de competir abertamente por esse cargo pela primeira vez na história da organização.

Avança o "The Guardian" que não só os candidatos terão de explicar as suas intenções e ideais aos representantes dos 193 estados-membros da ONU em abril, durante a assembleia-geral, como participarão em debates inéditos à semelhança dos que são levados a cabo entre rivais políticos dentro de cada país em ano de eleições.

Estes debates, co-organizados pelo jornal britânico que avança a notícia esta quinta-feira, vão acontecer em Londres e em Nova Iorque, e neles os candidatos à liderança da ONU serão questionados por indivíduos e organizações da sociedade civil vindos de todo o mundo para esses eventos.

O debate em Londres está marcado para 3 de junho no Central Hall Westminster, onde o primeiro secretário-geral de facto das Nações Unidas, o norueguês Trygve Lie, foi escolhido em 1946. Será organizado pelo "The Guardian" em parceria com a Associação ONU-Reino Unido (UNA-UK) e o Funds, um instituto de análise política financiado por governos europeus. Tanto este como o debate de 13 de abril em Nova Iorque serão abertos à imprensa e ao público em geral.

Durante os primeiros 70 anos de existência da ONU, o secretário-geral foi sempre escolhido à porta fechada pelos países com poder de veto no Conselho de Segurança, que depois apresentavam a sua escolha final à assembleia-geral para aprovação, num processo influenciado pela situação geopolítica mundial da altura. A escolha, aponta o "The Guardian", refletiu sempre qual dos candidatos era menos passível de "abanar o barco", numa tentativa de manter a figura de liderança acima das querelas políticas.

Este ano haverá pelo menos sete candidatos a disputar o cargo que Ban abandona no final do ano, entre eles o antigo primeiro-ministro português e ex-alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres. Entre 12 e 14 de abril, esses e outros eventuais interessados no cargo irão enfrentar a assembleia-geral das Nações Unidas no que está a ser classificado de "diálogos informais", durante os quais apresentarão as suas intenções e programas diplomáticos.