Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Parte dos 91 homens ainda detidos em Guantánamo vão ser transferidos para dois ou mais países

  • 333

91 homens ainda estão detidos na prisão extrajudicial de Guantánamo em Cuba

Staff Photographer / Reuters

Fonte do Pentágono diz que cerca de uma dúzia dos homens ainda mantidos em cativeiro na prisão extrajudicial dos Estados Unidos em Cuba vão ser retirados nas próximas semanas — sem avançar que países vão albergá-los ou o número exato de transferências previstas

Os Estados Unidos planeiam mover cerca de uma dúzia de homens detidos na prisão militar extrajudicial da baía cubana de Guantánamo para pelo menos dois países, sem se saber para já quais serão as nações anfitriãs.

A informação foi avançada por fonte do Pentágono ao "New York Times" na quarta à noite, madrugada desta quinta-feira em Portugal, com o oficial do exército norte-americano a escusar-se a confirmar o número exato de detidos que serão transferidos ou que países irão acolhê-los — "pelo menos dois", disse a fonte.

Segundo a Reuters, entre os homens que serão libertados e expatriados em breve conta-se Tariq Ba Odah. Apesar de já não ser suspeito de qualquer crime e de as autoridades terem dado início ao processo formal de libertação, o iemenita continua detido em Guantánamo, há mais de 13 anos, oito dos quais em greve de fome. A administração Obama já fez o pré-aviso de 30 dias ao Congresso sobre a intenção de transferir mais alguns prisioneiros de Guantánamo.

Neste momento, 91 homens permanecem no campo de detenção criado pela administração Bush na ilha cubana para manter suspeitos de terrorismo após os atentados de 11 de setembro, contra os 800 inicialmente detidos em 2002. Nas últimas semanas, o governo de Barack Obama retomou os esforços para encerrar a controversa prisão, tida por muitos como um instrumento de recrutamento de jiadistas por grupos como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a Al-Qaeda.

O Presidente norte-americano tem tentado fechar a prisão desde que tomou posse para um primeiro mandato em 2008, mas as barreiras impostas pelos republicanos no Congresso têm dificultado essa missão. Muitos conservadores da oposição defendem que é perigoso encerrar a prisão de Guantánamo e transferir os homens para prisões civis pelo "perigo" que representam. Críticos da existência destas instalações criticam o facto de a maioria dos detidos nunca ter sido julgada ou formalmente acusada de crimes, com muitos a serem sujeitos a técnicas de tortura brutais e ilegais.